A América Móvil (AMX), controladora da Claro, afirmou que continuará buscando ativos de telecomunicações após a aquisição da Desktop, sinalizando uma estratégia de crescimento agressiva sob a liderança de Daniel Hajj.
Em conferência com analistas, o CEO não revelou países ou regiões prioritários para novas operações de M&A, mas ressaltou que existem oportunidades adicionais tanto na América Latina quanto no Leste da Europa. “Só precisamos ter equilíbrio entre a alavancagem e a oportunidade”, disse Hajj, destacando que tais movimentos devem posicionar o grupo para crescer mais rapidamente.
A companhia citou ainda como exemplo a negociação para aquisição da Azteca, provedora de infraestrutura na Colômbia, mantendo a ideia de “estamos considerando tudo” para ampliar seu portfólio, além do avanço na banda larga com a Desktop.
Sobre preços, o executivo afirmou que não há previsão de aumento nos serviços de telefonia móvel, banda larga e TV por assinatura no Brasil. Ele também mencionou o encarecimento de chips de memória e a decisão de aumentar o estoque do insumo para evitar gargalos na cadeia de suprimentos.
No front de portabilidade, a NuCel – serviço de telefonia móvel da Nubank que utiliza a rede da Claro – tem contribuído para ganhos nesse indicador, ainda que a Claro continue atraindo usuários de outras operadoras há anos. A rede destacou que a portabilidade vem crescendo e pode avançar ainda mais no Brasil.
Quanto a parcerias, Hajj confirmou que a AMX mantém diálogos com a Starlink, para uma eventual colaboração no serviço de sinal entre satélites de baixa órbita (D2D) e celulares. A SpaceX planeja lançar uma nova constelação voltada a D2D em 2027, e as conversas visam entender as oportunidades que podem surgir.
Resultados financeiros da área operativa mostraram crescimento de receitas de 2,1% no primeiro trimestre, para 237 bilhões de pesos mexicanos. O serviço móvel subiu 6,4%, enquanto o segmento fixo (telefonia, banda larga e TV) avançou 1,7%. O EBITDA atingiu 95 bilhões de pesos, alta de 3,8% anual, e o lucro líquido somou 51 bilhões de pesos, avanço de 12,7%.
A América Móvil encerrou março com uma dívida líquida de 437 bilhões de pesos mexicanos, com alavancagem de 1,41x, refletindo o tamanho da expansão de portfólio e os investimentos realizados no período.