Com o ReData ainda sem definição, a Terranova tem direcionado parte de sua estratégia de expansão para áreas que já apresentam incentivos regulamentados, com as ZPEs surgindo como caminho regulatório mais claro para infraestrutura digital voltada à exportação de dados.
Segundo o CEO José Eduardo Quintella, a indefinição fiscal não interrompe investimentos, mas altera o ritmo de maturação dos projetos; ele afirmou que a velocidade de amadurecimento pode ser menor do que o potencial com o arcabouço fiscal esperado.
A Terranova atua em grandes projetos greenfield para hiperescaladores, complementando a Nextstream, plataforma do grupo Actis; o Brasil figura entre os mercados prioritários na América Latina, ao lado de México e Chile, embora a expansão local dependa de maior previsibilidade regulatória.
O projeto em Uberaba, Minas Gerais, foi escolhido por abrigar uma ZPE ativa; Quintella disse que a companhia protocolou pedido para acesso a 300 MW de energia na cidade, com capacidade de TI de cerca de 210 MW; o projeto está na fase inicial, mas sinaliza uma inflexão diante da demora do ReData.
Quintella destacou que as ZPEs permitem benefícios fiscais tanto na infraestrutura quanto nos sistemas computacionais importados para operação das cargas, ponto crucial para economia de capital; ele também citou que o horizon de isenção é mais longo na ZPE (20 anos) do que no ReData (5 anos).
As ZPEs, no entanto, são restritas a poucas localidades e, por definição, atendem melhor a projetos destinados à exportação de dados, deixando uma lacuna para a demanda local, que a empresa entende crescer no curto prazo; a Terranova mantém outros projetos fora de ZPEs, que poderiam avançar mais rapidamente com um regime tributário mais amplo e definitivo.