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Telecom no Brasil: perto de nova curva estratégica

Image © Teletime
O setor de telecomunicações brasileiro está em transformação, migrando de simples expansão de acesso para soluções com fibra, 5G e serviços integrados. O foco passa a ser desempenho, latência e proximity computing.

O setor de telecom no Brasil vive uma transição estrutural que vai além da simples expansão de cobertura. O foco migra de entregar apenas conectividade para oferecer velocidade real, confiabilidade elevada, latência mínima e infraestrutura distribuída que suporte serviços integrados.

Dados da Anatel mostram que o Brasil encerrou 2024 com cerca de 346,9 milhões de acessos nos principais serviços, incluindo móvel, fixa, banda larga fixa e TV por assinatura. Na banda larga fixa, observa-se migração acelerada para fibra óptica, com estimativas de que, em 2025, aproximadamente 73% dos acessos fixos já eram FTTH.

Mesmo em um cenário macroeconômico desafiador, o setor mostrou dinamismo. Segundo Teleco e IDC Brasil, o 2º trimestre de 2025 registrou o melhor desempenho do móvel nos últimos cinco anos, impulsionado pela expansão de aplicações de IoT em setores como indústria, agronegócio e serviços. A banda larga fixa, embora siga em expansão, teve ritmo de crescimento moderado em 2025, ficando abaixo de picos anteriores.

Tendências para 2026–2028:

  1. Consolidação da fibra óptica – a migração para FTTH continua acelerada, com demanda por streaming, trabalho remoto, serviços corporativos e nuvem exigindo maior capacidade de rede.
  2. 5G e redes convergentes – a cobertura 5G, aliada à fibra no backhaul, viabiliza IoT, automação, cidades inteligentes e telemedicina; a conectividade móvel passa a ser uma plataforma de serviços.
  3. Conectividade como plataforma de serviços – com a saturação do acesso puro, operadoras buscam serviços de valor agregado como nuvem, data centers, segurança e redes privadas.
  4. Interiorização da infraestrutura – muitos municípios ainda carecem de backhaul; provedores regionais e PPPs ganham espaço para reduzir desigualdades e estimular o desenvolvimento local.
  5. Competição sofisticada – grandes operadoras mantêm escala, mas players regionais e verticalizados ganham espaço oferecendo soluções sob medida.

O que isso significa para empresas, investidores e reguladores? Para organizações que dependem de conectividade e dados, é essencial repensar infraestrutura com foco na proximidade e na capacidade computacional local. A conectividade sozinha já não basta — é preciso performance, latência baixa e confiabilidade.

Para investidores e provedores, a oportunidade está nas soluções integradas: fibra, data centers regionais, redes híbridas, serviços gerenciados e segurança. Reguladores devem incentivar a expansão de infraestrutura, a competição saudável e a soberania digital, acompanhando a demanda por dados e inovação.

A próxima década não definirá apenas quem entrega o acesso, mas quem entrega infraestrutura sólida, inteligente e próxima do usuário. A disputa em 2026 e além será por velocidade real, confiabilidade, latência mínima, infraestrutura distribuída e serviços integrados. Quem enxergar e agir mais rápido estará na dianteira, ajudando o Brasil a decidir seu futuro digital.

* Sobre o autor – Carlos Eduardo Sedeh é CEO da SAMM. As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a visão de TELETIME.

 

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