A startup europeia de tecnologia espacial Univity anunciou a captação de 27 milhões de euros em uma rodada Série A para avançar no desenvolvimento de uma infraestrutura de conectividade via satélite baseada em 5G e a chamada órbita muito baixa (VLEO).
O montante será utilizado para concluir o programa de demonstração tecnológica, estruturar ofertas para operadoras de telecomunicações e preparar a escala industrial e comercial a partir de 2028, incluindo a formação de equipes nas áreas de engenharia, industrialização e desenvolvimento de negócios. A rodada contou com fundos europeus, como a Bpifrance, inseridos no plano France 2030.
O projeto principal está no uniShape, que prevê o lançamento de dois satélites em VLEO para testar um serviço de conectividade 5G não terrestre (NTN) de ponta a ponta, com acesso direto a smartphones (direct-to-cell). A proposta é usar o espectro disponível das próprias operadoras para uma integração nativa com redes móveis existentes, proporcionando continuidade de serviços 5G sem depender de frequências alternativas.
“Além do protótipo, esta rodada de financiamento também marca a transição para a escala industrial e comercial. Estamos reforçando as nossas equipes de engenharia, industrialização e desenvolvimento de negócios para a próxima fase, prevista para começar em 2028”, disse a Univity. A empresa opera com um modelo B2B, buscando fornecer infraestrutura espacial neutra para operadoras, em contraste com abordagens centradas no consumidor final.
Em um contexto europeu de soberania tecnológica, a Univity afirma visar posicionar a Europa como ator fundamental na conectividade híbrida global, diante da dependência de soluções estrangeiras como a Starlink. Stéphane Lefevre-Sauli, diretora sênior de investimentos da Bpifrance, afirmou que o investimento aborda integralmente os desafios de soberania em conectividade que estão no cerne da tese de investimento.
A iniciativa da Univity acontece no momento em que a União Europeia busca acelerar o desenvolvimento de tecnologias próprias no setor, reconhecendo a importância estratégica de uma infraestrutura de conectividade que una redes terrestres e espaciais, com ambição de atender às operadoras a partir de 2028.