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UE precisa de hyperscaler com sotaque europeu

Image © Convergenciadigital
Marc Murtra, CEO da Telefónica, pediu no MWC 2026 que a Europa crie um hyperscaler com sotaque europeu para fortalecer a soberania digital.

Durante painel no Mobile World Congress 2026, Murtra defendeu a criação de um “hyperscaler com sotaque europeu” como elemento central da estratégia de soberania digital da UE, ao lado de Tim Höttges, da Deutsche Telekom, e Jean-François Fallacher, da Eutelsat.

“Se a Europa quer ser soberana, vai precisar de produtos digitais”, afirmou. Segundo ele, a UE precisa de três pilares para reconquistar competitividade: escala, regulação pró-tecnologia e velocidade. “Precisamos de empresas maiores, que assumam mais riscos, atraiam melhores talentos e façam investimentos tecnológicos mais profundos. Estamos vivendo uma era em que qualquer produto tecnológico exige investimentos muito intensos.”

Murtra criticou o ritmo regulatório. “Estamos vendo mudanças sísmicas e profundas na tecnologia. Estou há 30 anos na indústria e não acho que tenha visto uma mudança tão profunda nos últimos três meses com a IA. Mas, no que diz respeito à regulação, não vimos nenhuma mudança nos últimos 12 meses.”

Para Murtra, a soberania digital europeia passa por dois blocos de produtos: tecnologias complexas e caras de replicar, como cibersegurança, softwares de gestão de hyperscalers e IA. “Precisamos de hyperscalers, mas não o hardware ou a infraestrutura, e sim o software que os gerencia.” Ele também destacou a necessidade de desenvolver produtos próprios de IA, afirmando que é ingenuidade acreditar que apenas terceiros garantirão acesso aos avanços nos próximos anos.

Internamente, a Telefónica tem abandonado tecnologias obsoletas e reorganizando a companhia, buscando maior verticalização e “riscos calculados” — mesmo que algumas decisões falhem. No painel, Höttges resumiu a frustração com o ambiente regulatório europeu: “Um ano depois, em Bruxelas, nada melhorou; nossa indústria investe 2% a menos na Europa.” Fallacher, por sua vez, ressaltou o papel da Eutelsat como alternativa europeia em órbita baixa, citando a aquisição da OneWeb, o aumento de capital para ampliar a constelação para 650 satélites e o projeto IRIS², financiado pela Comissão Europeia, como parte da estratégia para manter a Europa no mapa tecnológico global.

 

Convergenciadigital

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