A nova edição do Relatório de Monitoramento da Competição da Anatel, referente ao primeiro trimestre de 2026, aponta uma trajetória de crescimento moderado dos principais serviços, ao mesmo tempo em que sinaliza uma mudança estrutural no eixo competitivo do setor, cada vez mais orientado ao mercado corporativo e aos serviços digitais.
Na telefonia móvel, o Brasil contabilizou 271,3 milhões de acessos, com expansão anual de 3%. O documento ressalta, porém, desigualdades regionais relevantes: capitais exibem maior competição, enquanto muitos municípios apresentam concentração intermediária ou elevada, refletindo entraves locais à concorrência.
Na banda larga fixa, o país somou 54,6 milhões de acessos, com crescimento anual de 1,3%. Também nesse recorte municipal há assimetrias significativas, apontando para a necessidade de políticas regulatórias com foco geográfico para lidar com realidades distintas em várias regiões.
A transformação digital continua pressionando modelos tradicionais, especialmente nos mercados de voz e conteúdo, com a substituição progressiva por soluções digitais. A análise por grupos econômicos estratégicos mostra que a concorrência não é homogênea, estando organizada ao redor de agentes com capacidades, ativos e estratégias diferentes.
O relatório enfatiza a mudança estrutural rumo ao segmento corporativo como principal fonte de retorno. A oferta isolada de conectividade atingiu um teto, levando as operadoras a buscar novas fontes de receita em áreas como computação em nuvem, edge computing, inteligência artificial, APIs de rede e integração de soluções para empresas. Entre as tendências para 2026-2028, a Anatel prevê consolidação com foco na qualidade dos ativos, maior eficiência dos provedores regionais e o fortalecimento de ofertas integradas de serviços, ampliando o ecossistema de redes, dados, plataformas e soluções digitais.