As startups de educação estão transformando o ecossistema educacional no Brasil ao enfrentar gargalos práticos nas redes de ensino, como a integração entre plataformas, a personalização do aprendizado, a formação de professores, a segurança física nas escolas e a adaptação de soluções à realidade de cada aluno.
Durante o painel Edtechs — O Futuro da Educação Agora, em Brasília, o cofundador e CEO da Layers Education, Danilo Yoneshige, explicou que a Layers funciona como um “super app” para a integração de soluções educacionais. A empresa atende cerca de 2.200 escolas privadas e 9.600 públicas e trabalha para criar uma base de interoperabilidade entre sistemas, permitindo compartilhamento estruturado e seguro de dados, com o objetivo de reduzir a fragmentação de ferramentas.
Para Leandro Maia, fundador da School Guardian, a infraestrutura e a interoperabilidade são a base sobre a qual as inovações ganham escala. Ele também apontou que a IA está saindo de discussões teóricas e ganhando foco em problemas reais da educação.
O painel também destacou as mudanças no ecossistema desde a pandemia: o Brasil abrigava cerca de 800 edtechs antes da crise, caiu para 150 durante, e, segundo o relatório citado, recuperou para cerca de 450 após 2020. Ainda assim, o uso de IA surge como vetor de transformação, permitindo atendimento mais individualizado a baixo custo.
No âmbito da educação profissional, Luiz Eduardo Leão, gerente de Tecnologias Educacionais do SENAI – Departamento Nacional, afirmou que, apesar do foco inicial de edtechs na educação básica, o SENAI passou a estimular a entrada no setor de educação profissional. Ele citou o uso de realidade virtual, realidade mista e simuladores em ambientes industriais para aproximar startups dos desafios do mundo do trabalho, destacando que a parceria com startups ajuda instituições tradicionais a ouvir o usuário, desde que os limites materiais dos estudantes sejam considerados — por exemplo, não adianta depender de dispositivos de ponta que nem todos possuem, como “um iPhone 16”.
Por fim, Vinicius Arakaki, cofundador da Edusense, ressaltou que a formação de docentes continua necessária, mas que a velocidade das mudanças tecnológicas exige que o professor atue como editor e mediador da aprendizagem, com a tecnologia potencializando o seu trabalho. Os debatedores concordaram, porém, ao defender que a transformação depende de ouvir mais os alunos, com escolas já desenvolvendo apps próprias no ecossistema Layers, inclusive com participação de ex-alunos.