O mercado de fusões e aquisições entre provedores de internet voltou a demonstrar aquecimento, segundo Roberto Valverde, advisor de M&A e conselheiro de empresas familiares. Em entrevista ao Abramulti 2026, ele ressaltou que a precificação de ISPs costuma combinar múltiplos sobre EBITDA com uma análise aprofundada da qualidade da operação e da base de clientes.
Para Valverde, o valuation parte da geração de caixa, mas não fica restrito a esse indicador; a conta também é traduzida em valor por assinante, levando em conta fatores operacionais que podem puxar o preço para cima ou para baixo.
Entre os fatores citados, estão a quantidade de assinantes, a qualidade tecnológica, o número de cidades atendidas, churn, inadimplência e ticket médio. Esse conjunto de métricas, segundo o advisor, orienta a arbitragem de valor no mercado de M&A de provedores.
O consultor também apontou que o setor voltou a se movimentar após a aquisição da Desktop pela Claro, transação citada como preço acima do patamar observado em negócios recentes no segmento.
Valverde divide o mercado em três grupos: grandes ISPs com mais de 500 mil assinantes, empresas médias entre 100 mil e 300 mil clientes, e pequenos provedores com operações entre 10 mil e 30 mil clientes, com um grupo intermediário entre 30 mil e 100 mil assinantes. Os menores enfrentam maior pressão competitiva em regiões onde satélite chega antes das redes terrestres, enquanto os médios buscam ganho de escala para fortalecer posição estratégica ou facilitar operações futuras.
No contexto da consolidação, o executivo afirma que provedores estão revisando processos internos com maior atenção a cobrança, atendimento, serviços adicionais, governança e qualidade das informações, o que deixa um legado operacional relevante para o setor e para companhias que atuam com maior transparência regulatória.