A primeira metade de 2025 marca uma guinada histórica: mineradoras de Bitcoin estão convertendo operações em data centers dedicados à IA, impulsionadas pela repetida necessidade de diversificar negócios após o halving de abril de 2024 que reduziu as recompensas de mineração pela metade, de 6,25 para 3,125 BTC por bloco.
Entre as empresas que já puxam a fila,Cipher Mining e Core Scientific lideram a transição, assinando contratos bilionários para transformar plataformas de mineração em infraestrutura para inteligência artificial e computação de alto desempenho.
Contratos bilionários redefinem o setor: a Cipher Mining fechou acordo de 10 anos no valor de US$ 3 bilhões com a Fluidstack, apoiada pelo Google, incluindo US$ 1,4 bilhão em obrigações de arrendamento; a Core Scientific anunciou um acordo ainda maior, de US$ 3,5 bilhões para hospedar data centers de IA.
Essa mudança não se resume a margens superiores: GPUs em data centers de IA podem gerar até 25 vezes mais receita por quilowatt-hora em comparação com a mineração tradicional de Bitcoin, destacando a vantagem de infraestrutura energética já estabelecida e redes de resfriamento industriais.
Impactos no ecossistema de TI: o aumento da capacidade disponível para workloads de IA tende a aliviar a pressão sobre recursos computacionais, mas também eleva custos de energia e demanda maior governança e segurança cibernética para atender clientes corporativos.
Perspectivas para o Brasil apontam oportunidades de desenvolvimento de data centers alimentados por renováveis, com incentivos regionais atraindo investimentos de ex-mineradoras, desde que regulamentação, conformidade e segurança sejam devidamente endereçadas.