A nova divulgação da PINTEC Semestral 2024 aponta que a taxa de inovação das empresas industriais com 100 ou mais empregados ficou em 64,4% em 2024. O dado marca a terceira queda consecutiva desde o início da série histórica, em 2021, e representa o menor patamar dos últimos quatro anos.
Apesar da queda na taxa, o estudo reforça que o cenário reflete a dinâmica de longo prazo da inovação. Em comparação com 2023, a taxa permaneceu estável, em 64,4% contra 64,6%, com variações entre portes de empresa. Grandes companhias continuam a apresentar desempenho relativamente mais elevado.
O levantamento aponta que o porte da empresa segue sendo um fator determinante para a capacidade de inovar: 59,8% das organizações com 100 a 249 ocupadas inovaram; esse índice sobe para 65,7% na faixa de 250 a 499 e atinge 75,4% entre as empresas com 500+ funcionários.
Entre as atividades industriais, a Fabricação de produtos químicos liderou o ranking de inovação em 2024, com 84,5%, seguida pela Fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (82,1%) e pela Fabricação de móveis (77,1%). Por outro lado, Fabricação de produtos do fumo ficou no extremo oposto, com 29,8%.
No detalhamento por tipo de inovação, as empresas foram mais inovadoras em processos de negócios (51,9%) do que em produto (45,2%). O estudo destaca que o recurso mais utilizado para inovação permanece o processo de negócios, com 31,8% das companhias adotando métodos de organização do trabalho, decisão e gestão de recursos humanos; a inovação em produto, embora presente, atingiu 45,2% das empresas em 2024.
Apesar da queda na taxa de inovação, o total investido em P&D cresceu, somando R$ 39,9 bilhões em 2024. A maior parte do dispêndio foi realizada pela Indústria de transformação (R$ 34,1 bilhões), com 86% financiados por recursos próprios. A participação de empresas com 500+ ocupados representou 87,4% do total, evidenciando concentração de investimento em grandes empresas.
O acesso a mecanismos de apoio público à inovação avançou em 2024: 38,6% das empresas inovadoras recorreram a algum instrumento, sendo a Lei do Bem (Lei nº 11.196/2005) o mais utilizado (28,9%). O uso entre médias empresas (250-499 ocupadas) cresceu significativamente, chegando a 35,6% em 2024. Ao mesmo tempo, 31,5% declararam interesse em utilizar o benefício, sem ainda fazê-lo.
Para 2025, 96,4% das empresas declararam intenção de aumentar ou manter o dispêndio em P&D, com maior responsabilidade entre as de menor porte; para 2026, a expectativa é ainda mais otimista, com 98,5% projetando elevar ou manter os gastos.