A discussão sobre regulamentação da IA na saúde envolve equilíbrio entre inovação, segurança e responsabilidade, e não apenas a pergunta se devemos regular. O foco está em como usar a tecnologia para gerar valor real sem comprometer a segurança clínica.
A saúde é um dos ambientes mais sensíveis para IA: decisões apoiadas pela tecnologia influenciam condutas médicas, uso de recursos e desfechos. Erros podem se propagar pelo sistema, tornando o controle regulatório ainda mais essencial.
Ao mesmo tempo, a IA carrega um enorme potencial para reduzir variabilidade, apoiar decisões, organizar fluxos e aumentar a produtividade clínica. O desafio não é escolher entre risco e eficiência, mas estruturar o uso para capturar os dois lados.
A regulação deve atuar como uma linguagem comum, padronizando critérios, contextos de aplicação e níveis de segurança para facilitar avaliação, comparação e escalonamento de soluções, além de reduzir a incerteza para quem decide investir.
Tentar regular a tecnologia em si é inadequado, pois a IA evolui rapidamente. O que precisa ser organizado é o uso: como decisões são registradas, como modelos são validados, como dados são governados e qual é exatamente o papel da IA no processo assistencial. A responsabilidade clínica precisa ficar clara, com delimitação entre recomendação do sistema e decisão médica.
O setor de saúde brasileiro é heterogêneo em termos de maturidade digital e capacidade institucional. Regulações devem permitir trajetórias diferentes de adoção, promovendo uma base comum sem exigir uniformidade instantânea, pois a IA demanda integração de sistemas, revisão de processos e investimentos consistentes.
A IA já está presente na saúde, mas em muitas situações opera de forma isolada. Regular não é frear, é organizar: criar condições para que a tecnologia deixe de ser um experimento e passe a fazer parte da operação com segurança, governança e resultados tangíveis para pacientes e população. Assim, a discussão não é sobre adoção ou não IA, mas sobre uso responsável e útil para os principais interessados.
— Itshow