O MWC 2026, realizado em Barcelona, confirmou que a Inteligência Artificial ocupa o centro da transformação que pode reconfigurar todos os seus processos econômicos e sociais na Era Digital.
Relembrando 2006, quando o 3G começava a ganhar corpo, as operadoras discutiam se iriam distribuir conteúdos por vídeo e facilitar transações móveis; naquela época o YouTube era recente e Google/Apple não dominavam o ecossistema móvel. O debate girava em torno de conteúdo, não apenas de conectividade, e as operadoras acabaram adquirindo o papel de simples provedores de conectividade diante das regulações de neutralidade de rede.
Com IA, o ecossistema exige novas frentes: edge datacenters, redes de transporte dedicadas e processamento local de IA em handsets, além de uma mudança de modelo de monetização — o conceito de cobrança por tokens proposto pela Jio, em vez de bits, ganha destaque. Em IA generativa, grandes volumes de tráfego não são mais previsíveis e dependem da atividade de agentes de IA espalhados pela rede.
Além disso, a IA acende debates de soberania digital e segurança. Governos e reguladores aceleram a regulação para evitar dependência de grandes players globais. As operadoras precisam atuar nesses debates, integrando-se com ecossistemas de IA para não ficar à margem do novo ecossistema.
A lição para os próximos 20 anos é clara: o setor não pode esperar para ver onde a IA vai chegar. É necessário investir em infraestrutura de dados com foco em IA, criar serviços baseados em IA e repensar o modelo de cobrança, fugindo da lógica de pacotes de conectividade ilimitada, para retomar protagonismo na era da IA sem repetir erros históricos.