O Mobile World Congress de 2026 confirmou a Inteligência Artificial como o tema central para fornecedores e operadoras, com as atenções voltadas para o papel da IA na migração natural em direção ao 6G. A Ericsson sinalizou que o próximo salto está na rede de acesso (RAN), apresentando a ideia de uma sinergia entre IA e infraestrutura de rede — “IA para redes e redes para IA” — para tornar as operações mais dinâmicas, autônomas e eficientes.
Segundo Andréa Faustino, CTO da Ericsson, a IA adiciona uma “capa de inteligência” sobre as redes 5G existentes, impulsionando o conceito conhecido como 5G Advanced. A proposta é tornar serviços mais ágeis e escaláveis, além de viabilizar o avanço de casos de uso no 5G standalone e no emergente 6G. A gestão de tráfego de IA, que é multiponto e sensível à latência, reforça a necessidade de uma arquitetura automatizada, já que o volume de variáveis envolvidas excede a capacidade humana de gestão.
Para estruturar essa transformação, a Ericsson aponta para uma arquitetura baseada em agentes de IA — rApps (RAN), cApps (core) e Cloud Apps (nuvem) — com pilotos já em andamento, como o RApp para detecção de anomalias na rede Vivo hospedado na AWS. Essa abertura de RAN a aplicações de terceiros cria um ecossistema com mais de 80 apps, ampliando a governança multi-vendor por meio de uma camada de SMO.
A proposta de monetização passa pela criação de APIs, marketplaces e até grandes modelos de linguagem específicos para telecomunicações. Faustino comenta a possibilidade de operadoras oferecerem serviços diferenciados e programáveis via APIs, indo além da simples venda de banda. Também se discute treinar LLMs com dados internos e externos da operadora para adaptar modelos às necessidades do setor, incluindo o IA para melhorias de gestão de rede.
Além disso, a Ericsson destaca aplicações como ISAC — Integrated Sensing and Communications —, que permite usar a rede 5G como sensor para detectar objetos como drones ou pássaros. Pesquisas apontam aplicações em defesa, gestão de cidades, logística e tráfego, com uma visão de que tais funcionalidades não dependem apenas da evolução para o 6G; a adoção de IA nas redes já ocorre e o 6G deve vir de forma gradual, a partir da massificação do 5G standalone.
No âmbito técnico, a tendência é avançar com slicing 2.0, utilidade de gestão de tráfego em cenários dinâmicos (grandes eventos e picos de demanda) onde slices estáticos não bastam. A IA oferece previsibilidade e escalabilidade para gerenciar “AI Burst”, reduzindo a necessidade de intervenção humana. O objetivo final é preparar as redes para operações autônomas, transformando o paradigma de engenharia e de operações sem depender exclusivamente de novas gerações de hardware.