Cinco grandes operadoras de telecom da Europa — Deutsche Telekom, Orange, Telefónica, TIM e Vodafone — anunciaram nesta segunda-feira a criação da primeira federação pan-europeia de infraestruturas de edge computing, batizada de European Edge Continuum.
A proposta prevê federar ambientes de edge para viabilizar a implantação automática e segura de aplicações entre pontos de conexão de redes diferentes no continente, formando uma infraestrutura interoperável com controle regional sobre dados e operações.
Segundo as empresas, a federação representa uma estratégia para reduzir a dependência de plataformas globais de processamento distribuído, o que é especialmente relevante para aplicações sensíveis que exigem baixa latência, segurança e conformidade regulatória.
A federação já opera em ambientes de laboratório e pré-produção e deve ser demonstrada ao vivo durante o Mobile World Congress 2026 (MWC 2026). Na prática, o modelo cria um único ponto de entrada (single-entry point) para que clientes e desenvolvedores possam distribuir aplicações em várias infraestruturas de edge na Europa, alocando cargas de trabalho de forma dinâmica.
Entre os benefícios, as operadoras citam maior integração com a rede, flexibilidade e expansão geográfica. A iniciativa também é apresentada como avanço na soberania digital da UE, diante da busca por reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras em um cenário com ampla presença de hyperscalers norte-americanos e chineses — AWS, Microsoft e Google continuam a liderar o edge comercial.
Em entrevista, Cayetano Carbajo, diretor de core, transporte e ecossistema da Telefónica, afirmou que o European Edge Continuum representa um passo decisivo para a soberania digital europeia, abrindo o ecossistema a novos parceiros, desenvolvedores e comunidades de código aberto, além de facilitar a implementação de apps em todo o continente.