As leituras mais recentes do setor indicam melhoria operacional: margens mais saudáveis, disciplina financeira e monetização da base mais eficiente, além de churn em queda. Ainda assim, o desafio de extrair valor permanece essencial.
Observa-se um padrão estratégico de crescimento com disciplina, monetização da base, convergência de serviços, melhoria da experiência do cliente, redução de churn e captura de sinergias. No entanto, essas agendas costumam soar muito parecidas entre si, criando um efeito de evolução convergente no setor.
O problema surge quando a eficiência vira a única lógica orientadora. Ao tentar resolver tudo para todos — para todos públicos, geografias e segmentos — a diferenciação se perde. A competição tende a migrar para os eixos de tamanho e preço, favorecendo quem escala mais ou quem opera com retorno menor.
Eficiência continua essencial, mas deixa de ser vantagem competitiva se for o único eixo. A verdadeira alavanca está na escolha: quem servir melhor, onde competir e onde não competir. Sem renúncias estratégicas, uma oferta para todos dificilmente é percebida como única por alguém.
A inteligência artificial entra como recurso estratégico, ajudando a decidir com mais precisão, personalizar propostas e ajustar o valor de forma granular. Mas tecnologia não substitui decisões estratégicas: ela amplia opções, sem eliminar a necessidade de escolher.
A pergunta central permanece: por que o cliente escolheria aquela oferta — além do preço? Sem uma resposta clara, a tendência é de maior eficiência, mais convergência e maior pressão competitiva. O próximo ciclo pode exigir escolher melhor e construir uma diferenciação clara, relevante e sustentável.
*- Sobre o autor: Renato Paschoareli é Diretor Executivo, Alvarez & Marsal Infra. Foi executivo da Algar Telecom, GVT e Intelig. Perfil: https://www.linkedin.com/in/renatopaschoareli. As opiniões expressas não refletem necessariamente o ponto de vista da TELETIME.