A GSMA publicou um estudo avaliando o D2D (direct to device) via satélite para celular, indicando que a tecnologia pode reduzir a lacuna de cobertura para cerca de 300 milhões de pessoas, especialmente em áreas remotas e pouco povoadas. No entanto, a entidade alerta que restrições de capacidade e de eficiência espectral devem limitar o papel do D2D, que não deve ser visto como substituto das redes terrestres.
O relatório Os Limites do D2D: Modelando a Extensão da Conectividade D2D descreve cenários onde satélites em órbita baixa poderiam oferecer serviços de dados a velocidades modestas, mas com ganhos limitados. Em um cenário otimista com 15 mil satélites, seria possível fornecer 2 Mbps para cerca de 65 milhões de pessoas a qualquer momento; com 42 mil satélites, esse alcance subiria para 180 milhões. Mesmo assim, a GSMA afirma que 2 Mbps atingíveis representariam apenas 12% da população mundial, enquanto 20 Mbps (equivalente ao 4G) cairia a apenas 2%.
Um dos grandes entraves é a chamada perda de percurso no espaço livre (FSPL), que reduz drasticamente a intensidade do sinal conforme a distância. A GSMA cita, por exemplo, um usuário a 1 km de uma ERB e a 550 km de um satélite D2D, com a perda de sinal da conectividade satelital chegando a cerca de 300 mil vezes a maior do que a da rede terrestre. Em constelações VLEO a cerca de 330 km da Terra, o FSPL ainda permanece centenas de milhares de vezes pior que a ERB próxima ao usuário.
Para compensar totalmente essa perda, a Satélite precisaria elevar sua potência de transmissão ou aumentar a área de abertura a níveis pouco viáveis economicamente, e não é possível compensar a perda no dispositivo, por restrições de tamanho e potência. Além disso, o tamanho dos feixes (células) dos satélites é limitado pela distância ao smartphone, o que reduz ainda mais a eficiência de uso do espectro.
Quanto ao espectro, o estudo aponta que o D2D padece de eficiência espectral. Mesmo com 42 mil satélites usando todo o espectro IMT (1.100 MHz) até 3,8 GHz, a adoção global ficaria em torno de 12% da população; cenários mais realistas, com 10–80 MHz, projetam adoção entre 0,1% e 0,5% para 15 mil satélites, ou entre 0,2% e 1,3% com 42 milsatélites. Considerando as bandas MSS, o suporte global ficaria entre 0,8% e 2,2% dos usuários móveis.
Na prática, a GSMA conclui que o D2D não pode substituir redes terrestres — mesmo em áreas rurais —, mas pode atuar como complemento em locais de densidade populacional muito baixa (menos de 40 pessoas por km²), oferecendo velocidades de 2 Mbps para um número limitado de usuários. “É exatamente aí que a tecnologia D2D pode complementar a cobertura existente, pois pode fornecer capacidade suficiente para um pequeno número de usuários a custos incrementais muito baixos”, ressalta a entidade.