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Crise global de chips afeta telecom brasileira

Image © Teletime
A crise global no fornecimento de chips, impulsionada pelo avanço da IA e por tensões geopolíticas, elevou custos e atrasos na aquisição de equipamentos de telecom no Brasil.

A crise global no fornecimento de chips de memória, estimulada pelo superciclo de investimentos em IA e pela instabilidade geopolítica, está pressionando o setor de telecomunicações brasileiro. Empresas relatam aumento de preços de equipamentos e prazos de entrega mais longos, com impacto direto sobre modems de banda larga, roteadores e caixas de TV conectada.

Durante um evento promovido pela Claro esta semana, o CEO da operadora, Rodrigo Marques, indicou que a crise das memórias já elevou o custo de eletrônicos de consumo como modems e set‑top boxes em mais de 30%, citando impactos significativos nos custos dos dispositivos usados pelos serviços de TV e internet.

Em outra perspectiva do setor, o CEO de uma operadora de atacado revelou que o tempo de entrega de equipamentos ópticos dobrou nos últimos meses, passando de 60–90 dias para 150–180 dias, o que complica o planejamento de investimentos e amplia a incerteza para varejistas e consórcios de rede.

Especialistas apontam que o cenário é reflexo não apenas da demanda de hyperscalers com data centers de IA, mas também da instabilidade mundial. O fechamento do Estreito de Ormuz, por exemplo, já teve efeito indireto na produção chinesa de componentes, impactando o mercado brasileiro. Também se observa risco de falta de cabo drop de fibra, com demanda aquecida pela expansão de redes ópticas usadas em conflitos militares.

Neste contexto, empresas do setor têm buscado acelerar a compra de equipamentos, formando estoques ou antecipando faturamento para mitigar a crise. A Claro admite que sustentar reajustes pode se tornar inevitável para cobrir os custos elevados, especialmente se as margens sobre os planos de clientes acabarem sendo comprimidas.

Na avaliação de atores da indústria, como a Abinee, a pressão de componentes já atinge 47% das indústrias eletroeletrônicas do Brasil, com projeção de repassar cerca de 30% dos custos para o preço final de notebooks, desktops, celulares e TVs. O impacto é visto como provável até 2028, consolidando um cenário de ajuste contínuo para o setor de telecom e seus fornecedores.

 

Teletime

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