Analistas veem a compra da Desktop pela Claro como um movimento estratégico que pode inaugurar uma nova fase de fusões e aquisições no mercado brasileiro de telecom, com impactos esperados na avaliação de valor de ISPs e pressão sobre rivais.
Relatórios da XP destacam que a operação vai além de um bolt-on e reforça uma leitura de que o setor está caminhando para convergência, densidade de rede, retenção de clientes e disciplina na alocação de capital no FTTH.
O negócio, avaliado em aproximadamente R$ 4 bilhões, adiciona densidade relevante à Claro em São Paulo, onde a operadora já tem cerca de 10,6 milhões de clientes de banda larga, dos quais 2,7 milhões estão em FTTH. A Desktop traz 1,2 milhão de assinantes via FTTH, fortalecendo a presença da operadora no estado.
Em termos de mercado, a participação em SP com todas as tecnologias fica com Vivo (31%), Claro (28%) e Desktop (7,4%), enquanto no FTTH a Vivo lidera com 42%, seguidos por Desktop (11%) e Claro (8%). A XP ressalta que a densidade regional pode favorecer a Claro, especialmente no FTTH, ao ampliar a cobertura sem depender de novas plataformas de acesso.
quanto à alavancagem, BTG Pactual aponta que a transação é relativamente pequena para a América Móvil, com o índice de endividamento subindo de 1,52x para 1,55x. Santander também vê efeito marginal positivo para a AMX, sugerindo que a Claro pode consolidar sua operação de banda larga em São Paulo. Além disso, a transação pode servir como gatilho para reavaliação de ISPs, com múltiplos de EBITDA usados como referência para ativos regionais escalados, segundo XP. O Santander ainda destaca que a aquisição é apenas o começo de uma onda de consolidação, abrindo espaço para potenciais movimentos envolvendo a Unifique e outras ISPs listadas.