A safra brasileira atingiu 346,1 milhões de toneladas em 2025, com expectativa de chegar a cerca de 350 milhões na temporada 2025/26. Paralelamente, drones, IoT, inteligência artificial e telemetria aceleram a digitalização do campo, ampliando a superfície de ataque que pode paralisar toda a cadeia produtiva.
Segundo especialistas e organizações internacionais, a velocidade da transformação tecnológica não foi acompanhada por uma proteção digital equivalente, abrindo brechas em produção, gestão e comércio. O desafio não é apenas técnico, mas gerencial: dados gerados no campo precisam trafegar com integridade até quem decide no topo da empresa.
Especialistas alertam que ataques a sistemas de telemetria — por exemplo, dados de irrigação — podem provocar perdas regionais de produção, enquanto ransomware em plataformas de rastreabilidade podem travar exportações responsáveis por uma parcela significativa das divisas do país.
A FAO reforça: tecnologia sem governança é risco sistêmico. A conectividade rural avançou, mas a proteção digital permaneceu insuficiente, com produtores e cooperativas operando em redes fragmentadas e sem estruturas formais de resposta a incidentes. Sem governança, os ganhos tecnológicos tendem a desaparecer no longo prazo.
Para líderes de TI, a janela de oportunidade é clara: há demanda alta por soluções de cibersegurança no agronegócio, governança de dados e gestão de riscos voltados ao campo. A rastreabilidade e o monitoramento de emissões já viraram exigência de mercado, exigindo armazenamento e transmissão de dados sensíveis. Eventos como AgroPortos 2026 vêm discutindo soluções estruturais para manter o fluxo de exportações com segurança.