A Starlink aplicou uma estratégia elementar: identificar um espaço subatendido, padronizar o produto, simplificar a experiência de compra e escalar a operação. Ao olhar para o mercado brasileiro, a empresa não apenas participou do crescimento, mas o liderou, puxando a curva por onde já existia demanda reprimida.
No período entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, o mercado de banda larga via satélite acrescentou 259 mil acessos, um aumento de 46%. A Starlink sozinha somou 279 mil novas assinaturas no mesmo intervalo, registrando alta de 85% e demonstrando que não houve apenas evolução de mercado, houve liderança de mercado.
Esse desempenho reforça a ideia de que a chave não está apenas na tecnologia: a decisão estratégica foi criar um modelo capaz de competir em um ambiente já fibrado, com redes móveis disponíveis, e, para muitos, já saturado. A Starlink olhou o mercado primeiro, enxergou problemas não atendidos e usou o LEO como uma alternativa para ocupá-los, escolhendo a solução que maior impacto proporcionava diante daquele cenário.
O modelo de satélite pré-Starlink era, em muitos aspectos, complexo: instalação demorada, custos elevados e processos burocráticos. A empresa, ao oferecer instalação mais simples, preços acessíveis e uma experiência digital integrada, converteu demanda reprimida em negócios reais, sem precisar vender uma revolução tecnológica, mas sim tratar um nicho negligenciado como centro de negócio.
Observando o uso no Brasil, fica claro que a demanda existente se concentrou também em áreas urbanas: capitais como São Paulo já exibem uma adoção expressiva, com antenas em eventos, canteiros de obras e estabelecimentos que veem na Starlink uma opção de conectividade. Além disso, integradores passaram a adotar a solução para soluções B2B em agro, logística, mobilidade, mineração e outros setores, abrindo espaço para um uso urbano ainda não explorado pela telecos tradicionais.
A chegada de novos players de satélite LEO no Brasil deve ampliar o mercado, não retraí-lo. A grande lição é que o crescimento pode vir justamente do que existe antes de qualquer revolução tecnológica: estruturar produto, precificação e distribuição para nichos até então invisíveis. Em resumo, o que parece básico — foco no problema real do cliente — provou ser a força motriz por trás da expansão da Starlink no Brasil, deixando no ar a pergunta: que outros segmentos, considerados pequenos ou complexos, ainda aguardam uma decisão estratégica para serem explorados?