A América Móvil, grupo mexicano controlador da Claro, informou que o cenário competitivo de telecomunicações na América Latina está em transformação, com oportunidades para empresas bem posicionadas para a consolidação, inclusive no Brasil. A companhia destacou durante conferência de resultados que vê um caminho de consolidação na região e que quer estar pronta para atuar em operações de menor porte, inclusive envolvendo fibra óptica.
O CEO da América Móvil, Daniel Hajj, afirmou que a empresa ficou de fora da venda de ativos da Telefónica no Chile, mas continua avaliando a aquisição da Desktop no mercado brasileiro. “Na nossa região de atuação, acredito que haverá consolidação de mercado e queremos estar preparados para consolidar pequenas empresas ou pequenas operadoras de fibra. O cenário competitivo na América Latina está mudando. Haverá muitas movimentações ao longo do próximo ano ou dois e queremos estar preparados e saudáveis”.
Sobre o setor de fibra óptica, o executivo analisou o momento das empresas da região. “Há cinco ou seis anos havia muitas empresas implantando fibra e oferecendo em vários países com promoções muito agressivas. Não estou mais vendo essas empresas expandindo. Ainda há empresas atuando e concorrentes, mas não surgem entrantes fazendo isso. Eles estão percebendo que o negócio não é tão simples quanto parece”.
Na área de telefonia móvel, a América Móvil elogiou a performance da Claro no Brasil, atribuindo o desempenho ao trabalho próprio e à parceria com o Nu Cel, MVNO do Nubank. Hajj destacou que o NuCel tem ajudado na portabilidade numérica e que a empresa vem crescendo em receita, com Arpu elevado, atraindo assinantes de perfis mais sofisticados, não apenas clientes pré-pagos ou de baixa renda.
No aspecto de investimentos, a empresa ainda não fechou a orientação de capex para 2026, estimando entre US$ 6,8 bilhões e US$ 7 bilhões para toda a região. A meta é manter o capex em torno de 14% a 15% das receitas, patamar que deverá ser mantido nos próximos 2 a 3 anos. Em 2025, a América Móvil registrou receita de 943 bilhões de pesos mexicanos (aprox. US$ 54,8 bilhões), EBITDA de 372 bilhões de pesos e lucro líquido de 82 bilhões de pesos; números que reforçam a visão de crescimento e rentabilidade para o conglomerado.