Transição estratégica: a nova fase do 5G no Brasil não se resume a velocidade; a monetização depende de transformar capacidade tecnológica em receita recorrente por meio de serviços urbanos.
Cidades Inteligentes como Serviço (SCaaS) surge como modelo, permitindo que operadoras deixem de ser apenas provedores de conectividade e passem a oferecer soluções como gestão inteligente de tráfego, monitoramento de áreas públicas e iluminação pública conectada.
Para viabilizar esse movimento, as operadoras devem estruturar um portfólio de serviços escaláveis que ampliem o ciclo de vida da receita e passem a atuar como apenas conectividade? não mais, mas como orquestradoras de ecossistemas com IA, soluções geoespaciais e análise de dados.
No Brasil, a heterogeneidade tecnológica entre municípios é grande. Enquanto algumas capitais já operam com sistemas digitais integrados, muitos municípios ainda dependem de processos em papel. Essa diversidade, porém, representa uma oportunidade para a adoção de modelos baseados em nuvem e serviços como software (SaaS), permitindo que prefeituras avancem sem replicar infraestrutura física.
A arquitetura de SCaaS precisa também incorporar os princípios da LGPD desde o começo, com privacy by design, anonimização, governança de dados e definição clara sobre soberania da informação, assegurando que o uso de dados do cidadão ocorra apenas quando necessário para a melhoria do serviço público.
A nova relação entre setor público e empresas de tecnologia é fortalecida pela Lei de Licitações e pelo Marco Legal das Startups, que ampliam o espaço para contratos orientados a resultados. Nesse ambiente, as operadoras podem atuar como consultorias estratégicas e viabilizadoras de parcerias público-privadas, não apenas como fornecedoras de tecnologia.