O Brasil sinalizou hoje uma mudança de postura ao admitir a possibilidade de avançar em um acordo parcial entre o Mercosul e a China, conforme a Reuters.
O governo entende que um acordo amplo de livre comércio permanece distante, mas há espaço para formatos mais limitados, como redução de tarifas para produtos específicos ou tratamento de barreiras não tarifárias, incluindo procedimentos aduaneiros e requisitos sanitários.
O Mercosul — formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com a Bolívia em adesão — costuma exigir consenso entre seus membros para avançar em negociações com Pequim. A decisão pode enfrentar resistências, especialmente no Paraguai, que mantém laços com Taiwan, enquanto a Argentina pode influenciar o ritmo das discussões.
Dados de 2025 mostram o Brasil com exportações recordes de US$ 348,7 bilhões, puxadas por insumos primários. O agronegócio atingiu US$ 169,2 bilhões e a China permaneceu como o maior parceiro externo, comprando 26,8% das exportações brasileiras, sendo a maior parte de itens básicos.
O cenário mundial de tensões comerciais e a busca por diversificação de parceiros explicam o interesse do Mercosul em abrir canais com a China. A pauta ganhou impulso após declaração conjunta durante a visita do presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, a Pequim, em que o bloco indicou o desejo de iniciar negociações com a China “o mais rápido possível”.