Durante o Movecomm 2025, em São Paulo, um painel promovido pela TELETIME e Mobile Time discutiu a implementação da tecnologia de conectividade veicular V2X no Brasil e os passos para sua escalabilidade com o 5G-V2X.
A V2X permite que veículos conversem entre si e com a infraestrutura urbana, funcionando como uma camada de segurança adicional que pode aumentar a eficiência do trânsito, sem depender diretamente da rede pública de telecomunicações.
Hoje, o setor convive com dois padrões dominantes: DSRC (802.11p), baseado em Wi‑Fi, e C-V2X, baseado em redes celulares 4G/5G. O Brasil segue a tendência global e aposta no C-V2X, enquanto a Anatel destinou 60 MHz na faixa de 5,9 GHz para aplicações veiculares. Fabricantes como a Qualcomm já desenvolvem chipsets compatíveis com ambos os padrões para reduzir barreiras.
As primeiras aplicações incluem alertas de colisão com latência inferior a 10 milissegundos, avisos de frenagem brusca e detecção de risco por meio de IA, com a operação distribuída em canais específicos conforme a criticidade do serviço.
Desafios não são poucos. O professor Mauro Alves, do SENAI, ressaltou que o Brasil tem dificuldades maiores de implementação quando comparado a cidades como Zurique, além de apontar a falta de um comando central para coordenar, organizar e fiscalizar a integração das soluções de V2X. “É fundamental que o poder público atue como coordenador e catalisador”, enfatizou.
Na visão dele, instituições como o SENAI de São Paulo podem traduzir conceitos acadêmicos em aplicações práticas e infraestrutura industrial, acelerando a adoção prática das tecnologias embarcadas.
Sobre integração com outras tecnologias, Francesco Jacomel, da Qualcomm, observou que o V2X não é apenas uma transmissão de dados sem fim: sua finalidade principal é a segurança. O sistema é organizado em níveis de prioridade, com sinalizações críticas priorizadas e com latência ultrabaixa, separadas de serviços de infotainment e de banda larga. O V2X precisa dialogar com outras formas de conectividade embarcada, como satélite e Wi‑Fi, usando canais dedicados para não comprometer a segurança.