Dados da Speedtest Intelligence (Ookla) indicam que o uplink ainda ocupa uma fatia reduzida da capacidade de rede nas operadoras brasileiras. Entre as analisadas, a Claro destina 10,2% dos recursos de rede ao upload, a TIM 9,1% e a Vivo 8,3%.
Essa participação fica abaixo de 11% em todas as três operadoras, posição que contrasta com o que ocorre em alguns mercados asiáticos e europeus, onde operadoras chegam a destinar 16% dos recursos para o uplink (China Telecom e China Unicom), enquanto nos EUA a T-Mobile e AT&T chegam a menos de 7%.
O estudo relembra que o Brasil registrou, em 2021, até 28,9% dos recursos de rede móvel voltados para o uplink, mas esse teto caiu até 2026 para 10,2%. Em mercados como a China, a capacidade alocada para o uplink manteve-se relativamente estável, e, segundo a Ookla, não houve aumento expressivo em nenhum país analisado.
Segundo as análises, a expansão global de velocidades de upload tem relação direta com o desenvolvimento do 5G, que acelera tanto uplink quanto downlink. No entanto, a tendência de priorização do download permanece, com pressões adicionais surgindo a partir de aplicações de inteligência artificial (IA) que demandam envio de dados com maior frequência.
Especialistas destacam cenários como o uso de dispositivos com IA e óculos conectados, que podem gerar fluxos de vídeo longos, desafiando redes com uplink de largura de banda restrita. A Ookla cita que esse movimento pode pressionar as redes móveis em escala global, inclusive no Brasil.
Em síntese, o Brasil acompanha uma tendência global de priorização do downlink, o que pode exigir novas estratégias de alocação de recursos e de investimento para suportar aplicações futuras que dependem de envio de dados mais intenso via uplink.