Experimentos na Rede CNT, em Curitiba, avaliam se a tecnologia 5G Broadcast pode transmitir sinal de televisão diretamente para smartphones sem provocar interferência nas redes móveis. A iniciativa, promovida pelo governo, busca entender se o sinal de TV pode coexistir com a infraestrutura celular já em operação, em uma aposta na TV 3.0 como alternativa de distribuição de conteúdo audiovisual para dispositivos móveis. A operação está a cargo da Rohde & Schwarz, parceira na instalação da estação de transmissão na emissora, com acompanhamento de Anatel e Claro para monitorar impactos nas redes móveis.
O estudo divide-se em etapas: a primeira, realizada nos dias 24 e 25 de fevereiro de 2026, consistiu em medições de campo sem irradiação para estabelecer parâmetros de referência. Na fase seguinte, as transmissões começaram com potência de 30 watts e foram elevadas gradualmente até 1 quilowatt, sempre sob supervisão de autoridades. Dados preliminares indicam que não houve interferência relevante nas redes móveis durante os testes.
Segundo o Ministério das Comunicações, o objetivo central é confirmar que o 5G Broadcast pode operar de forma harmoniosa com as redes móveis já existentes, sem comprometer a qualidade dos serviços. O secretário de Radiodifusão do MCom, Wilson Wellisch, ressaltou que os ensaios foram solicitados para avaliar a convivência entre radiodifusão móvel e a infraestrutura celular atual.
Vinícius Caram, superintendente de Outorga e Recursos à Prestação da Anatel, associou o experimento ao avanço da TV 3.0 e à possibilidade de distribuir conteúdo audiovisual diretamente em smartphones, desde que não haja impacto negativo nas redes. Além das transmissões contínuas, também foram realizados testes de desligamento e religamento do transmissor para observar variações nos indicadores das redes móveis durante a operação.
O teste ocorre em um momento de articulação entre governo e Anatel para a implantação da TV 3.0 no Brasil. Em janeiro, a agência abriu consulta pública sobre a destinação da faixa de 300 MHz à radiodifusão, em linha com o decreto que instituiu a TV 3.0. A depender dos resultados, o 5G Broadcast pode ser visto como uma solução complementar para recepção móvel, sem substituir o padrão central da nova televisão aberta.
Em termos práticos, o 5G Broadcast é uma transmissão ponto-multiponto, na qual um único sinal pode ser recebido por um grande número de dispositivos sem exigir tráfego dedicado da rede móvel. A expectativa é que o experimento em Curitiba subsidie o debate sobre o papel dessa tecnologia na distribuição de conteúdo audiovisual no país, caso haja ecossistema compatível para smartphones.