Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, o CEO da Telefónica, Marc Murtra, defendeu que a Europa deve desenvolver tecnologia própria de cibersegurança para garantir soberania estratégica em um contexto geopolítico cada vez mais fragmentado.
Murtra ressaltou, em painel sobre cibersegurança e inteligência artificial, que a ausência de capacidade tecnológica, infraestrutura e conhecimento aprofundado representa um risco direto à autonomia europeia, destacando que a Europa precisa começar a construir cibersegurança para manter sua independência tecnológica.
No âmbito do grupo Telefónica, que atende aproximadamente 350 milhões de clientes nos mercados onde atua, o executivo destacou o papel das operadoras como integradoras de soluções tecnológicas. Segundo ele, as empresas de telecomunicações combinam produtos de terceiros e assumem a gestão da segurança de seus clientes, funcionando como uma camada intermediária entre fornecedores de tecnologia e usuários finais.
A inteligência artificial foi apresentada como um fator ambivalente no cenário de segurança digital: por um lado amplia as possibilidades de criminosos cibernéticos; por outro, oferece ferramentas para defesa preventiva. Murtra afirmou que cada vulnerabilidade identificada contribui para o fortalecimento dos sistemas, permitindo ajustes e corrigindo falhas, em uma trajetória de ambientes digitais progressivamente mais robustos.
Embora reconheça que previsões no campo da segurança são arriscadas, o CEO expressou otimismo moderado para um horizonte de cinco a dez anos, com sistemas mais seguros à medida que tecnologias, processos e capacidades de defesa evoluem. A fala reforça a visão de que a segurança digital é um desafio estrutural, especialmente para operadoras que atuam em múltiplos mercados, e aponta para a necessidade de uma estratégia europeia de soberania tecnológica.