Prestes a concluir a saída da América Hispânica, a Telefónica sinaliza uma estratégia para consolidar o setor de telecomunicações na Europa, com executivos afirmando a intenção de liderar esse movimento.
Em teleconferência com a imprensa, Marc Murtra, CEO, citou que em várias regiões existem múltiplas operadoras por país e estimou que a Europa tenha dezenas ou centenas de players relevantes, definindo que 38 operadoras com mais de 500 mil assinantes seriam o ponto de partida para o debate.
Murtra destacou que a Europa está, sim, preparada para operadoras transnacionais, do ponto de vista regulatório e legislativo, e que a participação do Estado entre os acionistas não seria um obstáculo à consolidação, citando exemplos como Telenor, Orange, Telecom Italia, Telefónica e outros.
No âmbito da América Hispânica, a empresa reportou que negociou a venda de oito operadoras em 12 meses, restando México e Venezuela, com o plano de saída da região mantido e pendente de resoluções regionais, como um contencioso tributário no México.
No balanço de 2025, a Telefónica registrou faturamento de 35,12 bilhões de euros, EBITDA ajustado de 11,92 bilhões e lucro líquido de 2,12 bilhões, com a queda atribuída majoritariamente à variação cambial. A empresa reforçou que cumpriu as metas financeiras, desconsiderando efeitos cambiais.
Com o plano estratégico Transform & Grow, a empresa projeta crescimento contínuo em 2026, com receita crescendo 1,5% e EBITDA ajustado em 2,5%, capex de cerca de 12% da receita e fluxo de caixa livre próximo a 3 bilhões de euros. O Brasil foi destacado como locomotiva, com ganhos expressivos em serviços convergentes, móveis e cloud para clientes corporativos.