Em um mundo cada vez mais digital, a segurança da informação deixou de ser uma mera prática técnica e se tornou um pilar estratégico das organizações. O papel do líder de TI — CIO, CISO ou gerente sênior — é abrir espaço para a segurança integrada ao negócio, conectando proteção de dados a produtos, clientes, parcerias e cadeia de valor. A ideia é construir resiliência, confiança e competitividade, indo além da simples operação de sistemas.
Nos últimos anos, temos observado uma escalada de vazamentos e ataques que atingem empresas de todos os portes, com impactos diretos na marca, no compliance regulatório e no valor de mercado. Casos recentes reforçam esse quadro: a Qantas Airways confirmou a exposição de dados pessoais de 5,7 milhões de clientes, incluindo telefone, data de nascimento e endereço residencial; a Allianz Life Insurance Company of North America revelou que hackers acessaram dados de uma plataforma de terceiros por meio de engenharia social com fornecedor em nuvem; além da divulgação de que cerca de 16 bilhões de credenciais de login foram expostas online, afetando contas de serviços como Google, Apple e Facebook.
Esses exemplos demonstram que o risco não é apenas de quem detém os dados, mas de quantos dados estão vulneráveis. Daí a importância de enxergar a segurança como diferencial competitivo e condição para operar com tranquilidade, não como custo isolado da TI.
O líder de TI precisa arquitetar uma postura de segurança alinhada ao negócio, questionando: se nossos dados forem expostos, qual será o impacto sobre receita, marca e regulamentação? Quais processos de negócio críticos estão mais vulneráveis? E como a segurança pode agregar valor real, indo além da mera mitigação de risco?
Governança, risco e conformidade devem se tornar pilares da credibilidade organizacional. Incidentes recentes evidenciam que falhas em governança ou em fornecedores externos podem comprometer defesas internas: políticas de controle de acesso, auditoria de terceiros e mapeamento de risco precisam abranger ecossistemas de nuvem, SaaS e terceirizados, não apenas as soluções internas. O foco deve ser visibilidade, controle e auditoria contínua para o board e para o comitê executivo.
Além disso, o fator humano continua sendo a porta de entrada mais comum para incidentes. Treinamento, conscientização e incentivos para comportamentos seguros devem permear todas as camadas da organização, desde equipe de TI até áreas de negócio. A experiência com a exposição massiva de credenciais reforça a necessidade de autenticação robusta, segmentação de rede e monitoramento constante.
Para quem lidera TI, o momento é de priorizar: mapear todo o ecossistema de risco (interno, nuvem, fornecedores e IoT); definir métricas de segurança alinhadas ao negócio (tempo de detecção e resposta, número de fornecedores auditados, uso de MFA); investir em planos de resposta a incidentes, recuperação de desastres e testes periódicos; e comunicar, em linguagem de negócio, que a segurança é “risco corporativo” e, quando bem governada, pode ser uma alavanca de crescimento—inclusive em setores críticos como saúde, finanças e infraestrutura. Sinais de crescente exposição já são observados em áreas como transporte, seguros, saúde e tecnologia, reforçando a necessidade de uma TI mais resiliente e bem integrada ao negócio.