A Sabesp ampliou contratos de fornecimento de água de reúso para data centers na região metropolitana de São Paulo, propondo uma solução para mitigar a crise hídrica enquanto estimula a expansão da infraestrutura digital. Em Barueri, a empresa fechou um acordo para fornecer 11 mil m³/mês de água de reúso destinados exclusivamente ao sistema de resfriamento de servidores, volume equivalente ao consumo de cerca de 3 mil pessoas.
O fornecimento inicial será realizado por caminhões-pipa, em uma solução transitória, até a conclusão de uma rede de distribuição direta ligada à Estação de Tratamento de Esgoto de Barueri, a maior da América Latina. A Sabesp destaca que a capacidade de produção de água de reúso atingia 84,5 milhões de litros por dia, demonstrando viabilidade técnica para atender a demanda do setor tecnológico sem afetar o abastecimento de água potável.
Esse acordo com Barueri não é isolado. A empresa também firmou contrato com a Jervois Brasil para fornecimento de 40 mil m³/mês. Em 2025, a Sabesp operou 30 contratos de fornecimento, totalizando 1,035 bilhão de litros no ano, reforçando a mudança estratégica na gestão de recursos hídricos após a privatização em 2024, com a água de reúso reconhecida como ativo para investimentos em infraestrutura digital.
O contexto de escassez hídrica é evidente: os reservatórios do Sistema Cantareira atingiram níveis baixos não vistos desde 2015; paralelamente, o mercado de data centers cresce rapidamente no Brasil, com o estado de SP concentrando uma parcela significativa, o que eleva a demanda por água. Dados globais indicam que, nos EUA, data centers consumiram 66 bilhões de litros de água em 2023 para resfriamento, com volumes ainda maiores em 2024 para IA, destacando a relevância de soluções de reúso.
Para gestores de TI e infraestrutura, a disponibilidade de água de reúso representa um ativo estratégico, pois facilita o crescimento em nuvem e IA com menor risco regulatório e de reputação associado ao uso de água potável. A experiência de São Paulo pode influenciar decisões de investimento de multinacionais na América Latina, consolidando a região como polo de soluções hídricas sustentáveis para tecnologia.
Em síntese, a Sabesp transita de um passivo ambiental para um ativo de infraestrutura digital, mostrando que políticas públicas e iniciativas privadas podem convergir para soluções de mercado viáveis. A água de reúso não é mais uma opção, mas um requisito para expansão e operação estável de data centers em um contexto de recursos hídricos cada vez mais restritos.