O Redata, ferramenta central para a competitividade de data centers no Brasil, continua sem tramitação concreta no Senado, após o ambiente político se tornar mais conturbado pela crise em torno do Banco Master. Interlocutores do setor afirmam a Tele.Sínteze que a pauta perdeu prioridade, sendo empurrada por ruídos políticos e pela discussão sobre o gás como insumo energético, o que aumenta o atraso na sua apreciação.
O pano de fundo é a crise do Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. Investigações posteriores revelaram, conforme reportagem da Reuters de 13 de março de 2026, mensagens e documentos que indicam proximidade de Vorcaro, controlador do banco, com autoridades públicas, elevando o viés político do tema em Brasília. Para agentes do setor, esse caso contaminou o ambiente de negociação e levou a uma blindagem que travou o andamento do Redata, com o texto sendo visto como prioridade apenas em condições específicas.
Além do ambiente turbulento, há resistência a uma emenda que inclua o gás entre os insumos energéticos contemplados pelo projeto. Representantes do mercado dizem que a inclusão não encontra objeção de princípio, desde que haja uma alternativa de matriz energética, mas o efeito legislativo de uma emenda pode levar o projeto de volta à Câmara, atrasando ainda mais a tramitação e alimentando a incerteza.
O atraso também é visto como um risco de timing para investimentos, especialmente diante da expansão global da demanda por IA e serviços digitais. O setor acusa a tributação elevada como principal entrave à competitividade do Brasil na atração de data centers, e o Redata era visto justamente como uma saída para criar condições de internalização de investimentos. Sem uma definição rápida, especialistas alertam que o país pode perder projetos para outras nações com regulações mais estáveis.
Confaz no centro da estratégia de curto prazo
Com o Redata paralisado, a principal aposta de curto prazo do setor recai sobre o Confaz, que pode aprovar um convênio para autorizar os estados a desonorar 90% do ICMS sobre equipamentos de tecnologia destinados a data centers. A unanimidade entre estados é desejada, e a grande maioria já concordou com a medida; o Rio de Janeiro ainda pediu vistas em 2025 e precisa retomar a pauta na próxima reunião, prevista para 27 de março de 2026.
A apreciação favorável no Confaz poderia gerar dois efeitos simultâneos: econômico, ao reduzir o custo de implantação de infraestrutura; e político, ao aumentar a pressão para destravar o Redata no âmbito federal, incentivando o Senado a avançar com a iniciativa. A avaliação de bastidores é que, se houver movimento estadual efetivo, o Senado ficará pressionado a não manter a paralisação da proposta.
Mesmo que o convênio seja aprovado, a implementação depende de portarias regulatórias e de uma definição rápida de políticas federais, o que ainda pode atrasar a efetividade do Redata para 2026. Enquanto isso, o cenário brasileiro permanece marcado pela incerteza, com o Redata em compasso de espera e o Confaz representando a tentativa de manter a atração de investimentos em data centers sem depender exclusivamente do ritmo legislativo federal.