A FAPESP anunciou a criação do Centro de Ciência para o Desenvolvimento Smart B100 (CCD SB100), uma plataforma de inteligência artificial generativa voltada ao agronegócio brasileiro, desenvolvida em parceria com o IAC, USP/Esalq, Unesp e Fatecs de Pompeia e Cotia. Com um investimento total de 20 milhões de reais e duração prevista de cinco anos, o projeto visa transformar décadas de dados científicos do setor em recomendações agronômicas personalizadas e em alertas de governança de dados para executivos de TI.
O SB100 baseia-se no Boletim 100 do IAC, publicações que orientam adubação e calagem do solo, e será estruturado em cinco áreas estratégicas: curadoria de dados, desenvolvimento do LLM, Modelagem do Living Lab, Comunicação em Gestão Integrada e Mobilização e Divulgação. O foco inicial será em citros e cana-de-açúcar, com planos de expandir para soja e outras culturas, integrando dados sobre saúde do solo, carbono e respostas fisiológicas das plantas.
Tecnicamente, a iniciativa evidencia a verticalização de modelos de IA: diferente de assistentes de uso geral, o SB100 utiliza um modelo treinado e curado para domínios específicos, elevando a precisão, mas aumentando os desafios de governança. A construção do núcleo de IA ficará a cargo das Fatecs de Pompeia e Cotia, com uma equipe direta de cerca de 30 pesquisadores e uma rede ampliada de laboratórios estaduais (aproximadamente 170) que fornecem dados de solo para alimentar o modelo.
Entre os desafios de TI e cibersegurança, o projeto aponta riscos de fake news e dados contaminados, exigindo protocolos robustos de autenticação de fontes, controles de acesso, monitoramento de outputs e conformidade com normas internacionais como NIST AI RMF e ISO/IEC 42001. O SB100 também prevê uso pelo setor financeiro, o que impõe ainda mais foco em proteção de dados e auditoria de modelos (model auditing) em conformidade com LGPD.
No conjunto, o Smart B100 funciona como termômetro para a integração entre IA generativa e decisões críticas na economia brasileira, desde a agricultura até o setor financeiro. Líderes de TI e segurança devem acompanhar a evolução de plataformas verticais como essa para entender impactos na governança de dados, na privacidade e na confiabilidade das recomendações técnicas.