A representatividade feminina em TI não é apenas uma pauta de recrutamento. Novo olhar analítico aponta que o problema é estrutural e começa ainda na infância, sendo reforçado pela cultura, educação básica e pela forma como setores universitários e corporativos lidam com o tema.
Dados apresentados no SWAR (STEM Women’s Annual Report) indicam que, no Brasil, embora as mulheres representem cerca de 60% das concluintes universitárias, apenas 17% estão em cursos de tecnologia e cerca de 33% em engenharia; em algumas especialidades esse índice fica abaixo de 10%.
A infância é o ponto crítico: estereótipos, brinquedos e mensagens de encorajamento moldam a percepção de meninas sobre suas capacidades. Ana Gaspar ressalta que “cientificamente não existe talento inato. O que existe é estímulo, oportunidade e treino”.
Iniciativas de STEM que partem de modelos competitivos tendem a engajar menos as meninas; a preferência é por aprendizado com propósito e impacto social, como destacou Ana Carolina Cardoso, presidente do chapter Brasil do STEM Women’s Congress.
Mesmo quando ingressam em cursos STEM, muitas jovens desistem: estudos apontam uma taxa de abandono de aproximadamente 25% no primeiro ano, motivada por falta de representatividade, ambientes hostis e ausência de modelos femininos.
Entre as estratégias, a mentoria se destaca como ferramenta de transformação real, com relatos de resultados concretos – cerca de 30% das participantes de programas universitários conseguiram estágio após um ano de acompanhamento, segundo o episódio.
O papel dos homens como aliados e a necessidade de ambientes inclusivos também foram enfatizados, visto que a liderança precisa de patrocínio ativo, orientação e políticas de longo prazo para manter o pipeline de talentos.
Por fim, a intencionalidade aparece como o fator decisivo: sem compromisso explícito de investir no pipeline e revisar processos, avanços pontuais não mudarão o panorama. O Itshow conclui que o futuro da tecnologia depende de incluir, formar e reter talentos diversos.