O cenário de negócios brasileiro enfrenta um risco crescente de ataques de ransomware, com incidentes que vão além da criptografia de dados, afetando faturamento e a continuidade de serviços críticos. Em 2025, o ransomware deixou de ser apenas uma ameaça pontual para se tornar uma máquina criminosa estruturada, operando em várias frentes para maximizar o retorno financeiro dos grupos criminosos.
A transformação envolve um ecossistema que reúne desenvolvedores, operadores, negociadores, administradores de infraestrutura e especialistas em invasão. Cada elo coopera de forma sincronizada, desde a identificação de alvos até a lavagem de recursos, o que explica por que ataques a organizações com maturidade em TI ainda geram impactos severos.
A infiltração inicial costuma ocorrer de forma discreta. Credenciais vazadas, acessos remotos expostos, falhas de autenticação e técnicas de engenharia social são calibrados de acordo com o perfil da empresa. O invasor permanece clandestino, coletando informações, mapeando serviços críticos e mantendo-se invisível por longos períodos antes de qualquer dano visível.
Uma vez dentro, a escalada de privilégios e a movimentação lateral tornam-se as fases centrais da ofensiva. O atacante amplia o controle sobre servidores, diretórios, ferramentas de gerenciamento e, frequentemente, sobre mecanismos de backup, para dificultar a contenção. Em ambientes híbridos, a falta de integração entre ferramentas de detecção e monitoramento facilita a escalada e a propagação entre sistemas.
A dupla extorsão — roubo de dados para exigir pagamento pela recuperação e para impedir a divulgação — evoluiu para a tripla extorsão, que envolve fornecedores, clientes e até órgãos reguladores. Esse modelo aumenta o risco de danos reputacionais, obrigações regulatórias e custos jurídicos, tornando o ataque mais lucrativo e duradouro.
Por que as empresas brasileiras continuam vulneráveis envolve fatores estruturais: superfícies expostas crescentes, legados, fragmentation de defesas e o uso de credenciais comprometidas. A combinação desses elementos reduz a eficácia de defesas pontuais, exigindo uma abordagem de segurança integrada, com validação contínua, visibilidade total e análise comportamental para detectar comportamentos anômalos em tempo real.