O Seminário de Políticas de Comunicações promovido pela TELETIME, em Brasília, destacou que o compartilhamento de postes, a agenda de espectro e o combate à criminalidade, inclusive no ambiente digital, estão no centro das pautas da indústria em 2026.
Para a Conexis, presidida por Marcos Ferrari, o combate à concorrência desleal deve ser prioridade institucional, diante de um cenário de informalidade que compromete a qualidade do serviço e precariza o trabalho. A ocupação irregular de postes foi citada como um desafio, reforçando a necessidade de uma organização maior do setor e de iniciativas conjuntas entre as associações para enfrentar distorções estruturais. Ferrari ainda apontou a segurança como eixo estratégico, mencionando roubos de cabos e golpes digitais, como o chamado falso advogado.
Sobre o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) direto, Ferrari afirmou que o recurso vence este ano e que é preciso renová-lo para facilitar aplicações rápidas em projetos governamentais.
A Associação Neo, representando PPPs, colocou o compartilhamento de postes como prioridade máxima para 2026. O presidente executivo Rodrigo Schuch enfatizou que há cobrança elevada por ponto de fixação (mais de R$ 17) e defendeu a fixação de um preço-teto para reduzir incertezas regulatórias, além de acelerar consultas sobre a metodologia de precificação. Ele também destacou a necessidade de combater informalidade e facções criminosas que atuam sobre infraestrutura. Schuch ainda sugeriu descentralização de data centers e políticas de espectro que favoreçam operadoras regionais e MVNOs.
A InternetSul, representada por Fábio Badra, apontou a sobrevivência dos provedores gaúchos nos últimos dois anos como contexto para 2026: priorizar qualificação e governança de pequenos provedores, abrir caminho a crédito via Fust e reforçar a regularização do mercado.
Na radiodifusão, a Abert, liderada por Cristiano Flores, destacou a 3.0 TV e a necessidade de mais espaço de espectro, citando a destinação de 300 MHz como essencial para a transição tecnológica, além de enfatizar a defesa da liberdade de expressão num contexto eleitoral.
Por fim, representando a Anatel, Carlos Baigorri ressaltou a disposição da agência para colaborar no combate ao cibercrime, lembrando que a decisão final depende do governo e do Legislativo. O secretário Hermano Tercius, do MCom, também enfatizou perspectivas positivas no enfrentamento à criminalidade contra a infraestrutura, destacando a cooperação com o Ministério da Justiça e a prioridade dada a esse tema.