A Plataforma Parque Cafeeiro, criada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi lançada como uma solução pública de rastreabilidade de café. A ferramenta utiliza IA e imagens de satélite para certificar o café brasileiro como livre de desmatamento e atende às exigências do Regulamento Europeu EUDR 2023/1115, protegendo exportações que giram em torno de US$ 7 bilhões para a União Europeia.
O sistema emprega Redes Neurais Convolucionais para processar imagens de satélite de alta resolução. Entre 2021 e 2025, a plataforma mapeou lavouras de café em todo o território nacional, criando uma base de dados robusta para verificação de conformidade ambiental e permitindo consultas rápidas por produtores e exportadores.
A arquitetura integrada utiliza a API Conecta GOV.BR para conectar diversos bancos de dados governamentais, proporcionando atualizações em tempo quase real. Com essa infraestrutura, cooperativas, exportadores e importadores europeus passam a ter acesso a informações validadas sobre áreas produtivas e certidões de não desmatamento.
O Regulamento (UE) 2023/1115 impõe que o café importado pela UE comprove que não foi produzido em áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. A UE representa cerca de 44% das exportações brasileiras de café, movimentando aproximadamente US$ 7 bilhões por ano em 70 mil contêineres, o que torna a plataforma uma infraestrutura crítica para a continuidade dessas operações.
Desafios de cibersegurança e gestão de dados acompanham a implementação de um sistema nacional de rastreabilidade. A plataforma gerencia dados georreferenciados de propriedades rurais, cadastros de milhares de produtores e registros de exportação para cerca de 150 países, exigindo controles de identidade, autenticação e criptografia robustos, além de escolhas entre infraestrutura on‑premises e nuvem.
O Parque Cafeeiro pode servir de modelo para outras cadeias produtivas sujeitas ao EUDR, como soja, cacau, madeira e óleo de palma. A experiência acumulada pode acelerar o desenvolvimento de soluções similares para novas commodities, com componentes como IA, integração de APIs governamentais, certificados digitais e gestão de identidades adaptáveis a cada setor. Embora a plataforma seja gratuita para pequenos e médios produtores, grandes tradings e cooperativas podem desenvolver soluções complementares integradas a seus ERPs, ampliando o ecossistema de rastreabilidade no agronegócio.