O governo do Paraná avançou com a privatização da Celepar ao contratar a B3 para realizar o leilão da estatal de TI, apesar de dúvidas no Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) e de um embate entre decisões monocráticas.
A estratégia, motivada pela pretensão de concluir a desestatização antes de o governador Ratinho Júnior deixar o cargo para disputar a eleição presidencial, alimenta uma disputa institucional entre conselheiros do TCE. Enquanto Durval Amaral deu decisão favorável à continuidade do processo, Fabio Camargo determinou a suspensão da venda, abrindo uma guerra de decisões que deve ir ao plenário.
Segundo o governo, o acordo com a B3 não teve valores divulgados e a escolha do leilão já estaria respaldada pela decisão dentro do processo conduzido pelo conselheiro Durval Amaral. O tema, no entanto, ainda não tem data marcada para apreciação no pleno do TCE.
A Celepar foi criada em 1964 e é referência na gestão de dados digitais de paranaenses, incluindo notas de estudantes de rede pública, históricos médicos do SUS, infrações de trânsito e quitações de impostos. A empresa também administra dados de secretarias estaduais como Segurança Pública, Fazenda e Previdência.
O governo justifica o avanço com base em uma agenda de desestatização do Estado, vinculada a programas de concessões, parcerias público-privadas e privatizações, e aponta a B3 como parceira desde o início do mandato de Ratinho Júnior. A venda em 2026 é citada como desejo, embora sujeita às tentativas eleitorais e a continuidade das discussões legais.