Nokia apresentou, na véspera de eventos globais, a visão de que a Inteligência Artificial estará integrada em todos os pontos da rede através da iniciativa AI RAN. A proposta envolve trazer capacidades de IA para o core, para a rede de acesso móvel e até a camada de IP, iniciando com a modernização de equipamentos 5G para suportar processamento de IA.
Conforme explicou o CEO Justin Hotard, as redes móveis evoluíram do transporte de voz para dados, depois para redes com suporte a vídeo e, hoje, caminham para a era da IA. “O crescimento do consumo de dados deixou de ser linear e já aparece com picos causados por prompts, tokens e a produção de IA generativa. Antecipar esse novo perfil de tráfego é o grande desafio”, disse ele.
A Nokia afirma atuar em todos os pontos da rede — não apenas no acesso móvel, mas também na rede fixa e na camada IP — permitindo visualizar esse movimento com mais clareza. A empresa fala em uma transição para “AI Factories” em escala sem precedentes e destaca que a parceria com a NVIDIA já está redesenhando equipamentos para oferecer capacidade de processamento de IA embutida.
Analistas e jornalistas questionaram a monetização de uma arquitetura tão distinta. Em resposta, executivos defenderam que não há conflito entre IA integrada e Open RAN: a IA pode, inclusive, facilitar a integração de 5G com IA, segundo Hotard.
Segundo o cronograma traçado pela Nokia, as primeiras redes com 6G estariam instaladas no final de 2028. Embora a data seja encarada com ceticismo por parte de parte do mercado, muitos veem nesse marco uma demonstração prática impulsionada por interesses governamentais, com a evolução gradual para o que alguns chamam de pré-6G.
Ao encerrar as perguntas, a Nokia reforçou a mensagem de que IA integrada não é apenas uma melhoria tecnológica, mas uma mudança de arquitetura que requer planejamento de monetização, governança de dados e integração entre redes móveis, fixas e IP. A presença de jornalistas no evento ajudou a esclarecer o papel da IA na visão de futuro da companhia.