O cenário de cibersegurança mudou de forma irreversível; modelos baseados em perímetro, que por décadas sustentaram a segurança de redes corporativas, já não bastam diante da hiperconectividade, da nuvem e da mobilidade. A microsegmentação Zero Trust surge não como tendência, mas como uma necessidade estratégica para ambientes distribuídos, com o princípio de nunca confiar, sempre verificar, guiando a segurança desde o design.
A microsegmentação Zero Trust divide a rede em componentes menores, de modo que cada workload, aplicação ou processo só possa se comunicar com aquilo que é explicitamente permitido. Em vez de regras amplas, cria-se um conjunto de fronteiras mínimas entre ativos, dificultando o movimento lateral de invasores. Como explica Cassio Menezes, “se uma máquina for comprometida, o estrago que o atacante pode fazer será mínimo. Ele não consegue se mover pela rede, não consegue descobrir outros ativos e, muitas vezes, nem consegue se comunicar para seguir adiante.”
Sem a prática de microsegmentação, o modelo Zero Trust perde parte de sua força. Cassio Menezes também destaca que “não existe Zero Trust de verdade sem microsegmentação. É ela que transforma a filosofia em prática e garante que o ambiente esteja preparado para ataques modernos.”
O caminho prático envolve três fases: primeiro, visibilidade profunda para mapear fluxos, dependências e comportamentos reais; segundo, políticas mínimas que limitem cada workload ao essencial; e terceiro, aplicação contínua e automatizada das políticas, acompanhada pela construção de uma cultura de segurança que envolve operação, segurança, desenvolvimento e infraestrutura. Fernando Serto reforça que a microsegmentação não é apenas tecnologia, mas governança, processo e capacidade de aplicar políticas sem atrapalhar a operação.
No Brasil, a adoção da microsegmentação Zero Trust cresce com a maturidade digital, à medida que bancos, varejistas, seguradoras e utilities investem em ambientes híbridos e APIs expostas. Ainda assim, a principal barreira continua cultural: visibilidade limitada, legados e receio de indisponibilidade. A recomendação é implementar de forma incremental, começando por workloads críticos e áreas de maior risco.