Em Barcelona, a I Cúpula Espanha-Brasil consolidou a convergência de visão sobre regulação de plataformas, uso ético da IA e soberania digital. Os dois governos destacaram a necessidade de regras equivalentes às do mundo físico para o ambiente online e associaram o discurso de ódio à violência.
Ao final da reunião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrou que o Brasil tem leis como o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, que impõem aferição etária e mudanças em funcionalidades para menores, enquanto a Espanha já criou a AESIA para supervisão de sistemas de IA. Os líderes sinalizaram que 15 acordos foram assinados, cobrindo mineração de minerais críticos, tecnologia e transformação digital, entre outros.
Para Lula, sem regulação, as big techs poderiam “instituir a era do colonialismo digital”, enfatizando que dados são coletados e usados para concentrar poder político e econômico. O governo espanhol, por sua vez, vinculou a inovação tecnológica à defesa da democracia e à luta contra a desinformação.
No campo da infraestrutura digital, o Brasil e a Espanha anunciaram cooperação entre o Barcelona Supercomputing Center (BSC-CNS) e o Laboratório Nacional de Computação Científica, com planos de projetos conjuntos em IA e outras áreas, fortalecendo a autonomia tecnológica de ambos os países.
Pedro Sánchez reiterou que o objetivo é responder aos desafios da sociedade com uma “perspectiva responsável para o desenvolvimento tecnológico” e ressaltou a importância de enfrentar a desinformação para proteger as instituições democráticas.