A 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro homologou a proposta de compra da UPI V.tal, veículo que reúne a participação acionária da Oi na empresa de infraestrutura, pelo BTG, pelo valor de R$ 4,5 bilhões, com earn‑out adicional de até R$ 500 milhões em caso de evento de liquidez.
A decisão, assinada pela juíza Simone Gastesi Chevrand no dia 1º de abril de 2026, também determinou que o BTG se abstenha de realizar IPO da V.tal por 24 meses. Em caso de descumprimento, o proponente deverá indenizar a recuperanda em 90% do lucro bruto obtido, descontados 10% relativos a compromissos incidentes sobre a operação; a decisão ainda prevê multa de 50% sobre o valor da proposta caso ela seja retirada.
A rejeição dos credores da Opção de Reestruturação I, em votação encerrada com 92,08% de votos contrários, não impediu a homologação. A magistrada ressaltou que a venda era imperativa no âmbito do plano de recuperação homologado e destacou que o processo competitivo foi público, amplo e resultou em apenas uma proposta válida, não havendo demonstração concreta de interessados dispostos a pagar valor superior.
Um dos fundamentos da homologação foi o laudo financeiro apresentado pela gestão judicial e pela recuperanda. Pela avaliação da G5, o preço-base de R$ 12,3 bilhões estava defasado; pela metodologia de fluxo de caixa descontado, o valor estimado para a UPI V.tal ficou entre aproximadamente R$ 2,56 bilhões e R$ 3,36 bilhões, enquanto, pela avaliação do patrimônio líquido, o ativo ficou em cerca de R$ 4,49 bilhões. A decisão também observou que o caixa da Oi está pressionado e que as alternativas de monetização são restritas, o que influenciou positivamente aOferta única.
A homologação encerra a etapa judicial de análise da única oferta apresentada no certame iniciado em 5 de março. Com isso, a venda do principal ativo remanescente da Oi avança, ainda sujeita aos desdobramentos operacionais e financeiros da execução da operação.