A IA é o novo eixo estruturante do setor de telecomunicações, segundo Alberto Boaventura, consultor de Tecnologia do CPQD. Ela percorrerá toda a rede e o modelo de negócios, abrindo caminhos para a diferenciação e a sustentabilidade em um cenário de pressões crescentes.
O autor descreve um ambiente desafiador: custos operacionais crescentes, receitas estagnadas e redes cada vez mais complexas. O tráfego de dados cresce entre 30% e 40% ao ano, enquanto a receita média não acompanha esse ritmo, comprimindo margens e elevando o endividamento. Em muitos casos, energia e manutenção respondem por cerca de 70% da receita, freando investimentos em inovação.
A fragmentação das redes — com múltiplas gerações, fornecedores diversos, camadas legadas e arquiteturas como cloud, edge e redes privadas — aumenta a complexidade, o risco de falhas e o tempo de reparo, limitando a interoperabilidade entre sistemas.
Diante desse cenário, Boaventura aponta a migração para operações autônomas, com visibilidade ponta a ponta e integração inteligente de sistemas, como condição necessária para reduzir custos, antecipar falhas e sustentar a operação. A digitalização integral combinada com automação inteligente, impulsionadas pela IA, passa a ser o pilar para diferenciação e crescimento.
O futuro das redes não é apenas de maior velocidade, mas de maior inteligência. A visão para o 6G envolve redes que aprendem e interagem com humanos, com tecnologias como holografia, gêmeos digitais e sensores quânticos. A cobertura se amplia com satélites, drones e plataformas de alta altitude, e as bandas de frequência se expandem até a faixa de Terahertz, viabilizando aplicações de altíssima capacidade.
A arquitetura das redes evolui para um ecossistema nativamente inteligente, em que IA atua desde o nível físico até a camada de serviço, orquestrando recursos, definindo prioridades e interagindo com outras redes. A IA generativa, modelos multimodais e agentes autônomos já começam a redefinir planejamento, atendimento, segurança, marketing e gestão operacional.
Para tornar esse salto possível, o setor exige investimentos críticos em fibra, energia, edge, computação acelerada e talentos especializados, além de uma reorganização interna que integre competências técnicas, regulatórias e estratégicas. Boaventura encerra lembrando que a IA é o novo eixo estruturante da telecomunicação: redes que pensam, sentem e agem já estão em construção, moldando o futuro das operadoras e da economia digital.