O Google revelou, durante a divulgação dos resultados de 2025, planos de investir entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões em 2026, cifra que se aproxima de 1 trilhão de reais e representa quase o dobro do montante empregado em 2025. O objetivo é ampliar a capacidade de IA e a infraestrutura de computação em nuvem da empresa.
No ano anterior, o capex totalizou US$ 91,4 bilhões, com a maior parte destinada a infraestrutura técnica: aproximadamente 60% em servidores e 40% em data centers e redes. A orientação para 2025, inicialmente estimada em US$ 75 bilhões, foi revisada para cima duas vezes ao longo do ano, com o quarto trimestre contribuindo com US$ 27,9 bilhões.
A despeito do crescimento, o ritmo trimestral de investimentos ficou abaixo do registrado pela Microsoft, que reportou capex de US$ 37,5 bilhões no período mais recente. A diretora financeira Anat Ashkenazi afirmou que o aumento para 2026 ocorrerá de maneira gradual, apoiado por um modelo interno que avalia o retorno de curto e longo prazo dos investimentos e pelo desempenho crescente da IA em nuvem e nos mecanismos de busca.
O CEO Sundar Pichai destacou que a empresa enfrenta restrições de capacidade diante da demanda por recursos de computação para IA, citando desafios como disponibilidade de energia, terrenos para novas instalações e limitações na cadeia de suprimentos. O ajuste no capex é visto como planejamento de longo prazo para suprir essa demanda.
Entre os ganhos operacionais, destaca-se a melhoria de eficiência do modelo Gemini, cujo custo unitário de operação foi reduzido em 78% em 2025 graças a otimizações de modelo e maior aproveitamento da infraestrutura. A expansão de investimentos também impacta o balanço: a depreciação subiu 38% em 2025, atingindo US$ 21,1 bilhões, o que indica pressão adicional sobre resultados em 2026, com custos de data centers, incluindo energia, para acompanhar o crescimento.
Os resultados financeiros refletem o peso das áreas ligadas à IA e à nuvem: a receita anual do Google superou US$ 400 bilhões pela primeira vez, com o Google Cloud ultrapassando US$ 70 bilhões em receita anual. No quarto trimestre, a divisão de nuvem faturou US$ 17,7 bilhões, com margem operacional de 30,1% e lucro operacional de US$ 5,3 bilhões. Além disso, a empresa ressaltou o acordo com a Apple, firmado em janeiro de 2026, que passou a usar modelos de IA do Google e sua infraestrutura de nuvem em dispositivos de consumo, tornando a Apple a parceira preferencial de cloud da gigante de tecnologia.