A geopolítica deixou de ser tema distante para tornar a TI um ativo estratégico que dialoga com decisões nacionais e tensões entre blocos de poder. Hoje, líderes de TI precisam enxergar a infraestrutura, os dados e os serviços como peças críticas de uma arena global, onde cada decisão de política pública pode impactar custos, prazos e disponibilidade.
Entre os vetores que ganham destaque estão as cadeias de fornecimento globais, cuja direção pode mudar conforme rivalidades entre potências como China e Estados Unidos. A soberania digital ganha contorno concreto, com países buscando maior controle sobre dados, infraestrutura crítica e componentes da cadeia de valor da TI. Além disso, a fragmentação regulatória e as restrições de exportação criam cenários de risco que exigem governança adaptada.
Recentemente, casos práticos ajudam a entender esse cenário. Em outubro de 2025, o Goldman Sachs alertou que o domínio da China sobre terras raras, metais e ímãs pode ameaçar cadeias globais de tecnologia, IA e defesa, impactando a disponibilidade de chips e hardware. Paralelamente, a Nvidia anunciou investimentos de centenas de bilhões de dólares para ampliar sua produção de chips nos EUA, uma resposta direta às tensões geopolíticas e aos controles de exportação. Por fim, artigos como o do Le Monde destacam como IA, inovação e ciência passam a se cruzar com estratégia de Estado e competição entre blocs, influenciando políticas, acesso a talentos e regulamentações.
Nesse contexto, o papel do líder de TI se amplia. Ele deve integrar a geopolítica à estratégia de portfólio, mapear origens de hardware e software, e desenhar planos de diversificação, como estratégias de “friend-shoring” ou a busca por fornecedores em regiões menos vulneráveis. A governança precisa acompanhar regimes regulatórios diferenciados, com foco em exportação, sanções e soberania de dados, além de assumir a TI como pilar de continuidade diante de choques na cadeia de suprimentos.
Outras ações práticas incluem planejamento de cenários geopolíticos, estoques estratégicos, acordos de backup e uma arquitetura de TI modular capaz de substituir rapidamente fornecedores ou regiões. A comunicação com o board e com o negócio deve traduzir impactos geopolíticos em prazos, custos e valor competitivo, demonstrando que a TI não funciona apenas para manter a infraestrutura, mas para criar vantagem diante de choques globais.
Conclui-se que a TI não é mais apenas suporte operacional: silício, dados e algoritmos tornaram-se componentes-chave da geopolítica. Quem entende esse fato posiciona a empresa para atuar com resiliência e inovação, transformando riscos globais em oportunidades estratégicas. Siga o Itshow no LinkedIn e assine a nossa News para acompanhar as principais tendências de TI e Cibersegurança!