A Federação Nacional de Infraestrutura e Redes (Feninfra) criticou a implementação de medidas antidumping sobre fibra óptica importada da China, alegando que a decisão do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) elevará o custo da conectividade no País.
A entidade aponta que a Resolução Gecex nº 829/2025 impõe uma taxa de US$ 47,46 por quilo de fibra óptica do tipo monomodo importado da China, com validade de cinco anos, e pode prejudicar projetos de expansão de redes, sobretudo de provedores regionais de banda larga e de políticas públicas de conectividade.
A Feninfra ressalta que o encarecimento do principal insumo da infraestrutura tende a ser repassado ao usuário, afetando contratações de novos acessos, aumentos de velocidade e renovações de contratos, o que pode reduzir a cobertura de banda larga e gerar desemprego no setor.
A entidade reconhece a importância de instrumentos de defesa comercial para coibir práticas desleais, mas afirma que fibra óptica é infraestrutura crítica e que medidas tarifárias severas exigem avaliação rigorosa de impactos sobre o consumidor e sobre o direito de acesso à conectividade.
Antes da decisão da Gecex, associações como a Aspro já haviam alertado que alíquotas antidumping poderiam encarecer significativamente o preço dos cabos ópticos. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) abriu, em setembro de 2025, um processo de avaliação de interesse público para verificar dumping nas exportações da China, motivado por petições de Prysmian e Lightera (antiga Furukawa Electric), em andamento desde janeiro de 2024.
Paralelamente, a Gecex também instituiu, pelo prazo de cinco anos, a tarifa de US$ 2,42 por quilo de cabo de fibra óptica com ou sem conectorização originário da China, conforme a Resolução nº 837/2025, ampliando o custo para o setor de infraestrutura.