A escassez de talentos em TI no Brasil não é apenas a ausência de candidatos. Na prática, ela se traduz em atrasos de roadmap, aumento de dívidas técnicas e pressão sobre equipes que precisam entregar o produto com qualidade e segurança, mesmo quando a base de conhecimento está dispersa.
Estudos setoriais indicam que a demanda por profissionais de tecnologia supera a formação anual disponível. A Brasscom estima um déficit acumulado até 2025 que pode chegar a meio milhão de profissionais, enquanto o levantamento do ManpowerGroup aponta alta dificuldade de contratação entre as empresas, com 81% relatando dificuldades em 2025.
Esse cenário eleva o risco operacional: atrasos na entrega, queda de qualidade e maior exposição a incidentes de segurança ocorrem quando times enxutos precisam assumir múltiplas funções sem a transmissão adequada de conhecimento.
Para mitigar, organizações costumam buscar redução de complexidade por meio de simplificação de arquitetura e padrões internos, criação de plataformas com golden paths e automação de CI/CD. Formação interna orientada por capacidade — não apenas por cursos — e contratação por habilidades aparecem como estratégias-chave. A terceirização pode suprir picos, desde que haja governança forte e planos de saída bem definidos.
Medir a escassez não é apenas olhar para headcount. Indicadores como lead time, throughput, idade do backlog e taxa de retrabalho ajudam o conselho a entender o impacto na entrega. Métricas de confiabilidade (frequência de incidentes, MTTR) e segurança (tempo para corrigir vulnerabilidades, cobertura de controles em nuvem) revelam quanto a organização está gastando para manter o negócio funcionando sem evoluir o produto.
No futuro próximo, a pressão deve permanecer. O diferencial estratégico tende a migrar de “ter as melhores pessoas” para “ter o melhor sistema que permite que pessoas competentes entreguem mais”. Padronização, plataformas, automação e governança passam a ser parte central da execução de TI, e não apenas complementos de recursos humanos.