A Polícia Federal em São Paulo deflagrou nesta quarta-feira a operação Cliente Fantasma contra a BMP, instituição financeira investigada pela suspeita de facilitar a lavagem de dinheiro de mais de R$ 25 bilhões, incluindo recursos de organizações criminosas.
A investigação liga-se ao histórico da BMP, que sofreu um ataque hacker na madrugada de 30 de junho de 2025, com registro de perdas de cerca de R$ 541 milhões em 166 transações por Pix. Dias depois, a instituição informou ter recuperado parte do montante, aproximadamente R$ 18,7 milhões.
Segundo a PF, a BMP, embora autorizada a operar pelo Banco Central do Brasil, deixou de informar a identificação de seus clientes ao órgão regulador, o que poderia permitir que clientes ficassem com sigilos protegidos e com bloqueios judiciais mais difíceis de contornar, dificultando a repressão a atividades ilícitas.
A Polícia Federal também apontou que a BMP não realizava as comunicações obrigatórias de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o que poderia ter contribuído para ocultar a origem ilícita dos valores movimentados. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na sede da instituição, bem como em endereços do presidente e do responsável pelo setor de compliance. As ordens são da 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo.
Os investigados poderão responder pelos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, omissão de informações ao órgão regulador e lavagem de capitais. A operação, batizada de Cliente Fantasma, é um desdobramento de ações de combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado realizadas em 2024.
A BMP, por meio de nota, disse estar colaborando integralmente com as autoridades e fornecendo esclarecimentos necessários, reforçando que continua com a operação normal de seus produtos.