A Akamai e a Visa anunciaram, em 17 de dezembro de 2025, uma parceria para tornar o comércio agêntico mais seguro, integrando o Trusted Agent Protocol (TAP) da Visa à inteligência de borda da Akamai. A solução mira agentes autônomos de IA que navegam e realizam compras em nome do consumidor, com o objetivo de distinguir agentes legítimos de automação maliciosa.
Pelo lado da Visa, o TAP funciona como um framework de autenticação do agente e de sinalização da missão de compra: o agente pode transmitir ao lojista que está autorizado para aquela jornada e compartilhar informações de pagamento de forma segura dentro do fluxo de checkout, mantendo a compatibilidade com a infraestrutura web existente.
Já a Akamai traz sinais de borda — inteligência comportamental em tempo real, reconhecimento de usuário e camadas de proteção contra bots — para detectar anomalias e separar tráfego confiável de automação maliciosa antes que chegue a sistemas sensíveis, reduzindo ruído e risco para antifraude e pagamentos.
A parceria busca enfrentar o que os especialistas chamam de “desafio da dupla identidade”: provar quem é o agente e quem ele representa, sem comprometer a personalização nem a relação com o cliente final quando o usuário é intermediado por software.
As evidências de urgência na indústria são fortes. O Digital Fraud and Abuse Report 2025 da Akamai aponta um crescimento de 300% no tráfego de bots movidos a IA no último ano, com mais de 25 bilhões de solicitações de bots inteligentes em um período de dois meses. No ecossistema Visa, estima-se que haja cerca de 175 milhões de estabelecimentos que aceitam a solução globalmente, o que facilita a adoção do TAP em escala.
Para CISOs e líderes de fraude, a implantação do TAP sugere três frentes imediatas: identidade e consentimento (com evidência de autorização para a missão de compra), telemetria e resposta em tempo real (com integração entre borda, antifraude e SIEM/SOAR) e governança de checkout e pagamento, de modo que o comportamento do agente seja previsível e passível de políticas de segurança.
Do ponto de vista estratégico, a Visa já vinha preparando o terreno para esse cenário, apresentando o TAP como um padrão aberto para diferenciar agentes legítimos de bots maliciosos. A colaboração com a Akamai acrescenta capacidade de mitigação de abuso na borda, um ingrediente crítico para varejistas que desejam explorar o comércio agêntico sem abrir mão de segurança e controle. O mercado deve ver a padronização avançar a partir de pagamentos, com maior interoperabilidade entre provedores de identidade e provedores de antifraude, começando a ganhar impulso já em 2026.