O agronegócio brasileiro soma US$ 80 bilhões em prejuízos entre 2014 e 2024, principalmente por eventos climáticos extremos, mas hoje encara uma nova ameaça: ataques de ransomware que representam cerca de 10% dos incidentes no Brasil. A expansão digital das fazendas ampliou a superfície de ataque, tornando a proteção cibernética uma prioridade estratégica para produtores e cooperativas.
Durante o Show Rural Coopavel 2026, lideranças do setor destacaram que 80% dos executivos consideram a proteção digital o principal obstáculo para a adoção de inteligência artificial (IA) nas operações agrícolas, evidenciando a necessidade de alinhar IA com governança de segurança.
Mais de 84% dos produtores já utilizam soluções digitais, mas 56% ainda gerenciam atividades por planilhas, e apenas 40% das grandes propriedades contam com software de gestão integrado. Essa fragmentação tecnológica aumenta pontos de vulnerabilidade e dificulta a implementação de protocolos de proteção robustos.
O ecossistema financeiro do agro também está sob pressão: fintechs agrícolas movimentaram cerca de R$ 18 bilhões em crédito analisado em 2025, circulando por sistemas que, em alguns casos, não contam com camadas suficientes de segurança.
A convergência entre TI e OT no campo elevou a demanda por especialistas em segurança: sistemas de irrigação automatizados, sensores IoT e plataformas na nuvem criam uma superfície de ataque sem precedentes, impulsionando a adoção de soluções de segurança industrial, como firewalls, detecção de intrusão e criptografia específicos para o agro.
Além disso, a proteção cibernética está ligada à segurança alimentar: incidentes em infraestruturas críticas, como irrigação ou logística, podem atrasar decisões estratégicas e comprometer a distribuição de alimentos, levando o setor a pressionar políticas públicas que protejam infraestruturas estratégicas.
O mercado de segurança digital para o agro está se consolidando: startups especializadas, integradores de sistemas e consultorias desenvolvem frameworks de governança e compliance para cooperativas e grandes produtores. Investir em proteção digital deixa de ser custo para tornar-se uma vantagem competitiva, paralelamente à continuidade da digitalização das operações.
Para caminhar rumo a uma blindagem efetiva, pesquisadores e profissionais defendem que a proteção cibernética acompanhe o ritmo da transformação tecnológica no campo, em uma parceria entre inovação, segurança e políticas públicas que protejam a infraestrutura alimentar nacional.