No Tech Gov Forum MT, o presidente da Prodesp, Gileno Barreto, afirmou que a ideia de uma nuvem soberana para o setor público é um grande modismo que não funciona na prática.
“Não acredito em nuvem soberana. É impossível. Isso é um grande modismo. É legal ter o meu datacenter. É legal. Mas a que custo? E para proteger o quê? Acho que isso é o que tem que se pensar”, disse Barreto.
Ele destacou ainda a necessidade de diferenciar dados sensíveis de informações públicas ou estratégicas que podem circular para gerar inovação. “Se eu tenho dados sensíveis, dados pessoais ou estratégicos do ponto de vista econômico do setor público, treino o meu modelo, fecho aquele perímetro e tenho que proteger essa informação. Fora isso, é atrapalhar o desenvolvimento”, afirmou.
Barreto também se posicionou contra uma regulação ampla de inteligência artificial no Brasil neste momento, defendendo a ideia de uma “autorregulação regulada” com monitoramento e ajustes quando necessário.
Ele alertou, no entanto, para os riscos do uso indiscriminado de grandes modelos de linguagem com dados públicos. “Na hora que aperta o botão e concorda com os termos, colocou dado numa LLM, esse dado vai estar disponível. Aqueles dados não são mais seus”, disse, propondo que informações sensíveis sejam tratadas em ambientes próprios, com treinamento interno de modelos.
Ao lado de Barreto, o presidente da MTI, Cleberson Gomes, destacou o papel das empresas públicas como tradutoras das necessidades do Estado em soluções tecnológicas, ressaltando que há 16 projetos de inteligência artificial em andamento na MTI e que o principal desafio é converter iniciativas em resultados práticos.
Já o presidente da Procergs, Luiz Fernando Záchia, citou a experiência do Rio Grande do Sul como exemplo de maturidade digital, com 72% dos serviços estaduais digitais. Um destaque é a Guria, plataforma de IA acessada pelo WhatsApp, que envia alertas sobre renovação de CNH, débitos de IPVA e campanhas de vacinação, com funcionamento até mesmo em pacotes mínimos de internet.